Bali, Indonésia | Por Nivaldo Cleto*
O professor Hartmut Glaser, secretário executivo do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), foi homenageado na cerimônia de abertura da ICANN 87 com o Prêmio Dr. Tarek Kamel de Capacitação 2026. O reconhecimento destacou sua trajetória na construção da Internet brasileira e seu trabalho para ampliar a participação de pessoas de diferentes setores na governança da rede.[1]

Ao anunciar a escolha, a presidente do Conselho Diretor da ICANN, Tripti Sinha, ressaltou a contribuição de Glaser para o desenvolvimento do domínio .br, do CGI.br e do NIC.br, além de sua atuação na criação do registro regional de endereços da América Latina e do Caribe, o LACNIC. A homenagem valorizou especialmente sua dedicação a preparar outras pessoas para participar dos debates e assumir responsabilidades na comunidade internacional.[2]
Confira aqui a homenagem a Hartmut Glaser
Novos domínios entram em outra etapa
Na abertura, a direção da ICANN destacou as 1.615 candidaturas da rodada de 2026 de novos domínios genéricos de primeiro nível, os gTLDs. São propostas de novas terminações de endereços, incluindo marcas, comunidades e nomes em diferentes sistemas de escrita. A divulgação das candidaturas não significa aprovação: os pedidos ainda passarão pelas etapas previstas no programa.[3]

Tripti Sinha e o presidente executivo Kurtis Lindqvist defenderam a cooperação entre governos, empresas, sociedade civil e especialistas. Lindqvist enfatizou a necessidade de transformar decisões da comunidade em resultados, com prioridades, orçamento e responsabilidades de implementação mais claros.
Combate a fraudes e proteção de direitos
Na sessão do grupo de partes interessadas comerciais, o CSG, foram discutidas propostas para investigar outros domínios associados a uma conta quando houver denúncia fundamentada de abuso. O trabalho integra um processo de desenvolvimento de políticas, chamado PDP. Seus responsáveis esclareceram que essa investigação adicional não elimina a obrigação já existente de responder prontamente ao abuso inicialmente comunicado.[4]

Em sessão dedicada aos direitos humanos, o debate mostrou divergências sobre os cuidados necessários para evitar bloqueios indevidos. Representantes não comerciais defenderam critérios objetivos, proteção da privacidade e meios de contestação. Outros participantes cobraram igual atenção aos danos sofridos pelas vítimas de golpes. Também se discutiram possíveis controles sobre ferramentas de registro automatizado, sem presumir que todo registro de muitos domínios seja malicioso. As propostas permanecem em discussão.
Uma Internet que aceite diferentes idiomas
A sessão sobre Aceitação Universal, ou UA, tratou de um problema concreto: domínios e endereços de e-mail válidos ainda são rejeitados por alguns sistemas quando usam determinados caracteres ou novas terminações. Foram apresentadas 47 diretrizes e experiências de formação universitária, adaptação de serviços públicos e valorização de escritas locais. O foco anunciado foi avançar da conscientização para a adoção prática.[5]

Steve Crocker, um dos pioneiros da Internet
Ferramentas para segurança e proteção de marcas
No CSG, também foi apresentada uma proposta de melhoria do CZDS, serviço de acesso a arquivos de zona. A ideia é oferecer aos usuários já autorizados arquivos diários apenas com as alterações, facilitando o monitoramento e reduzindo processamento repetido. Outra apresentação examinou a integração entre domínios tradicionais e sistemas alternativos de nomes, com atenção à segurança e à consistência dos registros. Ambos os assuntos ainda exigem trabalho técnico e encaminhamentos.[6]
*Nivaldo Cleto, representante do Setor Empresarial Usuários de Internet do Comitê Gestor da Internet no Brasil e Membro da ICANN Business Constituency
Com fotos da icannphotos
Notas de rodapé


