ICANN 67: Dia 2

Por Nivaldo Cleto*

A Business Constituency (BC) teve como prioridade durante 2019 o avanço da pauta do combate ao abuso no DNS, buscando entender qual é o papel da ICANN na contenção do crescente número de crimes e contravenções que ocorrem na Internet, já que essa instituição é a que dá a última palavra em relação a nomes de domínio, o que permitiria a ela executar diversas ações que vão desde desabilitar um nome associado a um website infrator até redirecionar tráfego para outro endereço, como o de uma agência de polícia. A ICANN, portanto, está em uma posição única de lidar com esse problema devido a sua centralidade no processo.

Esse tema foi trazido para os holofotes na sequência de um documento publicado ano passado pela Public Interest Registry (na época, a administradora do domínio “.org”), um framework, que trouxe com ele definições de o que seria “abuso no DNS” e como reagir a ele. Uma série de atores relevantes do meio de nomes de domínio voluntariamente assinaram o documento, mas não ocorreu uma consulta à comunidade sobre as medidas sendo adotadas ou como a ICANN se encaixaria na questão.

Alguns problemas surgem dessa questão, com a mais notável sendo que um documento voluntário como esse é precisamente isso: algo voluntário. Os atores que o assinarem são aqueles que provavelmente já agiriam de forma correta, apenas afirmando seu comprometimento. Os atores maliciosos, por sua parte, podem apenas ignorá-lo e seguir em frente. Fica também a questão de quem seria o ator a monitorar o cumprimento das regras, pois há um pressuposto de autogestão.

O tema é de prioridade máxima para a BC em vista de que o comprometimento de e-mails de empresas (Business Email Compromise) já é estimado em mais de 20 bilhões de dólares desde que o FBI começou a rastrear esse tipo de fraude em 2013. Em nossa carta destinada ao Conselho Diretor da ICANN, pedimos por clarificações sobre como estabelecer regras que se apliquem a todos que possuem contrato com a instituição, não apenas os que se voluntariassem.

Na realidade, todo esse esforço é direcionado a combater uma pequena quantidade de atores delinquentes que causam muitos problemas. Se fosse conseguida uma maneira prática de lidar com eles, veríamos uma queda expressiva na quantidade de abuso, pois é sabido quem permite que ele ocorra, só não existem mecanismos próprios para desabilitá-los.

Questionamos o que é visto como aspiracional versus o que vai ser realmente buscado pela ICANN em termos de, se necessário, forçar o cumprimento de regras. Essa é uma discussão que estamos liderando com o departamento de compliance, que nos fala que suas capacidades não são suficientes para lidar de maneira expressiva com os casos de abuso, pois os contratos não seriam robustos o suficiente, até por motivo de não ser claro em quem cai qual responsabilidade, seja de cobrar ou cumprir.

Foi uma conquista da BC que, desde que começamos esse diálogo, o departamento melhorou os procedimentos em relação a utilização dos contratos já existentes e se sentem mais preparados para lidar com a questão. Continuamos a fornecer insumos para facilitar o trabalho do departamento e queremos conduzir a conversa de modo aberto e inclusivo de todos os demais membros da comunidade.

*Nivaldo Cleto é Conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br e membro da ICANN Business Constituency

ICANN 67: Dia 1

Se iniciou em 9 de março de 2020 a primeira reunião regular da ICANN realizada de modo totalmente virtual, como uma consequência das medidas de prevenção contra a proliferação do COVID-19. Apesar das capacidades de reunião remota serem usadas com frequência pela comunidade, as reuniões presenciais são importantes ferramentas de alinhamento, nas quais os grupos que trocam centenas de mensagens ao longo de meses conseguem se focar nas questões que discutem e fazer avanços mais expressivos.

Ao longo dessa reunião acompanharemos algumas sessões de interesse para o setor empresarial, com um volume menor de informações devido à redução da quantidade de sessões totais, com menos de um terço do volume normal de debates.

Universal Acceptance: Tecnologia e Internacionalização de E-mails

A apresentação do grupo se iniciou com os dados da pesquisa realizada pela consultoria brasileira parceira da AR-TARC, a Governance Primer, na qual foi testada a aceitação de e-mails com caracteres estrangeiros ou originando de domínios novos (como o “.bar”), na qual foi constatado que a aceitação de novos domínios tem crescido, mas a de caracteres internacionais está estagnada, como podemos observar na tabela abaixo.

2017 vs 2019 Global Reports

Em relação aos dados obtidos, estão sendo planejadas ações para cobrir essa deficiência e melhorar as estatísticas no futuro, sendo que o grupo de Tecnologia (UA-Tech) tem como missão principal trabalhar de maneira conjunta a instituições e organizações que estabelecem padrões ou fazem recomendações, de modo a gerar uma maior conformidade com os padrões de Aceitação Universal na indústria de tecnologia como um todo.

Dentro dos projetos ativos nesse momento, temos principalmente: 1) a definição formal de quais os critérios para um produto ser realmente considerado como capaz de Aceitação Universal; 2) a preparação de um treinamento para programadores de Java, ensinando diversos mecanismos para a preparação de códigos mais adequados para a internacionalização; 3) o fechamento do escopo de um projeto de análise de linguagens de programação e seus frameworks em relação a que tipo de trabalho precisa ser feito para torná-las compatíveis com Aceitação Universal.

Uma prioridade que será perseguida nos próximos meses é a de um estreitamento no contato com a W3C (World Wide Web Consortium) e o WHATWG (Web Hypertext Application Technology Working Group) para que o padrão HTML5 passe a suportar de maneira consistente essas inovações, pois no momento não consta no padrão uma solução, o que leva invariavelmente a falhas.

Domínios de marcas

O Brand Registry Group (BRG) é uma associação de empresas e organizações que trabalham juntas, com base em serem donas de seus próprios TLDs genéricos, como é o caso do “.honda” para a fabricante de carros. O grupo possui membros na América do Norte, Europa e Ásia, mas ainda não encontrou adesão das marcas latino-americanas que possuem seus próprios TLDs.

Quando analisamos a quantidade de acessos sendo feitos no DNS em relação a novos nomes de domínio, as marcas se destacam muito mais do que os muito debatidos domínios geográficos (como “.paris”), tornando sua questão algo relevante de ser estudado pela comunidade, principalmente a de atores comerciais.

A comunidade de negócios deve olhar mais para essas oportunidades e como trabalhar melhor com a questão desses domínios de marcas.

 

Nivaldo Cleto
Conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br
Membro da ICANN Business Constituency

Consumer Electronics Show (CES) 2020

Estivemos mais um ano presentes na CES, maior feira de tecnologia do mundo, realizada em Las Vegas (EUA) entre os dias 07 e 10 de janeiro de 2020. Acompanhe algumas novidades deste grande evento anual.

Óculos inteligente Bosch

A Bosch trouxe para a CES2020 o conceito de óculos inteligente. É o sistema Light Drive smartglasses – primeiro do mundo baseado em sensor para tornar inteligente um par de óculos convencional. Esta solução é um terço mais fina do que as disponíveis no mercado e pesa menos de dez gramas. As imagens projetadas no campo de visão do usuário variam desde informações de navegação e mensagens de texto até entradas do calendário e instruções de operação – dependendo das informações recebidas de um smartphone ou smartwatch.

Óculos inteligente Bosch

Óculos GEMS

Outra novidade é o GEMS, um cinto e um óculos que usa realidade aumentada para ajudar na prática de exercícios físicos, com uma personal trainer virtual, além de poder ajudar idosos com problemas de locomoção.

Oculos GEMS

Ballie, da Samsung

Uma das apresentações para a imprensa mais aguardadas na CES2020 foi a da Samsung. E não é à toa. A empresa apresentou um robô que lembra o BB-8, de Star Wars, chamado Ballie. Ele segue o dono e, na sua ausência, cuida da casa, mandando informações direto para o celular.

Scanner de corpo 3D

A Artec trouxe o scanner de corpo 3D para a feitura de bonecos personalizados. Objetos também podem ser escaneados. Veja a perfeição das miniaturas. Já fiz a minha!

Scanner de corpo 3D

Fones de ouvido JVC

A JVC trouxe os fones de ouvido Bluetooth que eliminam completamente os sons externos. É perfeito para viagens.

Fones de ouvido JVC

Fones de ouvido JVC

FlexPai, da Royole Corporation

FlexPai, da empresa chinesa Royole Corporation, é o primeiro smartphone dobrável do mundo! Vendido apenas na China por US$1.300,00, não há previsão de lançamento em outros países. Roda somente o sistema Android 9.0 Pie.

FlexPai

Woven City (cidade entrelaçada)

A Toyota trouxe para a CES2020 seu projeto de cidade para o futuro. A cidade inteligente, apelidada de Woven City (cidade entrelaçada, na tradução literal), terá cerca de 70 hectares que fica ao pé do Monte Fuji. O projeto é do próprio Akio Toyoda, presidente e CEO global da Toyota.

A ideia é construir um “laboratório vivo” para testar as tecnologias autônomas da empresa. Para se locomoverem, os habitantes usarão o veículo autônomo da Toyota, o e-Pallet, lançado na CES de 2018. Ele também será usado para entregas e para carrinho de vendas, como food truck.

Adiantamos aqui o projeto desta cidade na conferência para a imprensa da Toyota, antes da abertura da feira.

Veja aqui o vídeo desta incrível cidade.

cidade entrelaçada