Diário da ICANN 66 – Dia 3

Por Nivaldo Cleto (*)

Ocorreu nesse dia a reunião bianual do LAC Space, momento dentro da ICANN no qual os diferentes membros latinos da comunidade se reúnem para expressar todo o progresso que fizeram dentro desse espaço, comparando dados e buscando avançar nossa posição dentro desse espaço que geralmente é mais ocupado por atores da América do Norte. Faremos aqui uma recapitulação dos principais pontos abordados.

Iniciamos com uma intervenção de León Ambia, um dos dois membros latinos do Conselho Diretor (Board). Ele enfatizou quais são as prioridades atuais dentro da organização: 1) revisar o que já está aprovado sobre o próximo Plano quinquenal de gestão da ICANN, que em dezembro irá para comentário público; 2) seguir e trazer resultados da discussão sobre a evolução do modelo multistakeholder da ICANN, que está em curso; 3) trabalhar soluções para lidar com o Abuso no DNS, na sequência de uma publicação de impacto a respeito do tema[1] liderado pela Public Interest Registry (administradora do domínio “.org”).

O líder da LACRALO, Sergio Salinas, mencionou que o projeto de Universal Acceptance (aceitação de todos caracteres no DNS) tomou prioridade dentro da agenda do grupo, e que começaram a trabalhar mais firmemente no tema desde a reunião 65, seguindo um pedido da própria organização de um maior foco no tema. Ele também mencionou que os webinars do grupo continuam crescendo.

O líder do LACNIC, Oscar Robels, falou sobre comunicação e desenvolvimento na região, mencionando o livro sobre a comunidade que recentemente foi lançado pelo grupo, “El Desarrollo de la Comunidad de LACNIC[2], recurso interessante para entender a história da Governança da Internet por nossa perspectiva. Mencionou também o programa Fondo Regional para la Innovación Digital en América Latina y el Caribe (FRIDA), focado na facilitação de projetos na região. Buscam também aumentar a quantidade de servidores-raiz na América Latina, aumentando a resiliência e aumentando a velocidade da resolução de nomes de domínio.

Olga Cavalli, da Argentina, foi nesse dia reeleita como vice-diretora do GAC. O GAC continua focado na questão dos nomes geográficos nos novos gTLDs, visando a próxima rodada de aplicações para a compra de nomes. Depois de negociações com o GNSO, se chegou a uma conclusão geral que serão mantidas as regras da rodada de 2020 com uma perspectiva de seguir de modo bastante estrito as regras previamente acordadas. Ideias do GAC como a de criar uma lista de nomes geográficos protegidos (como, por exemplo, proibir um “.tietê”) não foram implementadas. Terminou mencionando o livro com múltiplos autores latinos que organizou sobre o tema e que está disponível gratuitamente para leitura em espanhol e português.[3]

Nacho Estrada, do LACTLD, representando os ccTLDs latinos, mencionou o evento do LAC DNS Forum no qual recentemente puderam reunir uma quantidade surpreendente de ccTLDs que anteriormente não tinham tanto contato com os demais; o consultor da Mark Datysgeld esteve no evento apresentando a respeito de Universal Acceptance. Menciona também o progresso de um observatório de DNS específico para a região que está sendo preparado para 2020.

Juan Rojas, da NPOC, mencionou a finalização de uma nova “charter” para o grupo, detalhando quais as expectativas de sua atuação. Falou também de uma pesquisa interna sendo feita voltada a entender quais são essas prioridades do grupo, que se encontra em crescimento. Estendeu convite para diferentes INGOs do continente para que se agreguem ao grupo e possam ser melhor representadas.

Bruna Santos, do NCUC, mencionou uma pesquisa sobre quais os problemas sendo enfrentados por seus membros para engajar na organização. Também publicaram um novo curso no ICANN Learn sobre como escrever políticas para a ICANN.

Mark Datysgeld, da BC, apresentou os resultados da pesquisa conduzida por um time totalmente brasileiro sobre Universal Acceptance tratando da compatibilidade nos 1.000 websites mais acessados do mundo em relação a e-mails com as novas extensões. Os curtos como “.top” já são aceitos em 97% dos casos, mas os longos como “.technology” possuem 84% de aceitação. No entanto naqueles que usam caracteres Unicode, que permitem o uso de alfabetos como o Han (chinês) a compatibilidade é de apenas 13%.

Os seguintes resultados foram obtidos:

Test case 2017 2019
ascii@ascii.newshort 91% 97%
ascii@ascii.newlong 78% 84%
ascii@idn.ascii 45% 50%
unicode@ascii.ascii 14% 13%
unicode@idn.idn 8% 8%
arabic.arabic@arabic (RTL) 8% 7%

 

[1] http://www.circleid.com/pdf/Framework_to_Address_Abuse_20191017.pdf

[2] https://www.lacnic.net/libro-comunidad

[3] https://www.gobernanzainternet.org/libro/

 

(*) Nivaldo Cleto é Conselheiro do Comitê Gestor da Internet CGI.br, membro da ICANN Business Constituency