{"id":571,"date":"2014-10-03T15:17:08","date_gmt":"2014-10-03T18:17:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nivaldocleto.cnt.br\/news\/?p=571"},"modified":"2014-10-03T15:17:08","modified_gmt":"2014-10-03T18:17:08","slug":"urna-eletronica-faz-18-anos-sob-criticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/urna-eletronica-faz-18-anos-sob-criticas\/","title":{"rendered":"Urna eletr\u00f4nica faz 18 anos sob cr\u00edticas"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><em>\u00a0Por Gustavo Brigatto | De S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando 142,5 milh\u00f5es de brasileiros forem \u00e0s urnas no domingo, eles v\u00e3o depositar seus votos em um sistema eletr\u00f4nico que chega aos 18 anos elogiado pela velocidade na apura\u00e7\u00e3o dos resultados, mas criticado por especialistas pela postura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), considerada de pouca transpar\u00eancia, para lidar com brechas de seguran\u00e7a detectadas nas diferentes etapas do processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;S\u00f3 confiar na palavra do TSE de que o sistema \u00e9 seguro n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u00c9 preciso ter transpar\u00eancia para mostrar como ele funciona&#8221;, disse Diego Aranha, professor de computa\u00e7\u00e3o da Universidade de Campinas (Unicamp). &#8220;At\u00e9 porque, as interfer\u00eancias podem vir de fora, mas tamb\u00e9m de dentro do pr\u00f3prio TSE. N\u00e3o d\u00e1 pra garantir a honestidade de todo mundo.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aranha participou, em 2012, pela Universidade de Bras\u00edlia (UnB), de uma rodada de testes p\u00fablicos nos softwares das urnas eletr\u00f4nicas realizada pelo TSE. Na ocasi\u00e3o, 24 pesquisadores tiveram cinco horas para examinar os 90 mil arquivos e as 17 milh\u00f5es de linhas de c\u00f3digo que comp\u00f5em o sistema, que \u00e9 reescrito pelo TSE antes de cada elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante da tarefa herc\u00falea &#8211; que demandaria 35 pessoas trabalhando nove horas por dia de segunda a sexta para ser conclu\u00edda &#8211; a equipe se concentrou em um aspecto: a forma como a urna embaralha os votos computados para que eles n\u00e3o possam ser comparados com a lista de presen\u00e7a da se\u00e7\u00e3o eleitoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado n\u00e3o foi nada bom. Em menos de uma hora, a equipe de Aranha conseguiu colocar em ordem os 475 votos inseridos para simular uma elei\u00e7\u00e3o. &#8220;Encontramos o c\u00f3digo mais inseguro que voc\u00ea possa imaginar para fazer o embaralhamento&#8221;, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A falha, relatada ao TSE, teria sido corrigida, diz Aranha. Outra quest\u00e3o continua sem corre\u00e7\u00e3o, segundo a advogada Maria Aparecida Cortiz: os c\u00f3digos para cifrar as informa\u00e7\u00f5es dos votos (as chamadas chaves de criptografia) ficam armazenados nas mem\u00f3rias de cada urna e s\u00e3o os mesmo para todos os equipamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria Aparecida participou, como representante do PDT, dos testes realizados pelo TSE nos sistemas que ser\u00e3o usados nas elei\u00e7\u00f5es neste ano. Em 180 dias, apenas a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), partidos pol\u00edticos e o Minist\u00e9rio P\u00fablico tiveram acesso aos programas. Ela diz ter encontrado uma s\u00e9rie de problemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um deles est\u00e1 relacionada \u00e0 forma como o TSE envia aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e cart\u00f3rios eleitorais os sistemas que ser\u00e3o usados nas urnas eletr\u00f4nicas. Segundo a advogada, os computadores usados na grava\u00e7\u00e3o das matrizes podem ser conectados \u00e0 internet. Isso, disse ela, gera d\u00favidas sobre a verdadeira origem dos programas. &#8220;N\u00e3o d\u00e1 pra saber se eles vieram do TSE ou da internet.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao pedir explica\u00e7\u00f5es, a advogada teve sua peti\u00e7\u00e3o arquivada sob os argumentos de que ela n\u00e3o teria atribui\u00e7\u00e3o para fazer tais contesta\u00e7\u00f5es, por n\u00e3o ser uma delegada do partido. As vulnerabilidades teriam sido consideradas inconsistentes. &#8220;O TSE det\u00e9m todo o poder&#8221;, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Valor enviou uma lista de quest\u00f5es ao TSE para saber seu posicionamento sobre as cr\u00edticas quanto ao sistema de vota\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica e obter mais informa\u00e7\u00f5es sobre o funcionamento das urnas. A assessoria de imprensa do Tribunal informou que, por conta da alta demanda do per\u00edodo de elei\u00e7\u00f5es, n\u00e3o teria porta-voz dispon\u00edvel para a entrevista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar das d\u00favidas que a tecnologia suscita \u00e0s v\u00e9speras de cada elei\u00e7\u00f5es, nos 18 anos de uso do sistema eletr\u00f4nico de vota\u00e7\u00e3o nenhum caso concreto de adultera\u00e7\u00e3o de urnas ou de manipula\u00e7\u00e3o de votos foi detectado. Para os especialistas, por\u00e9m, isso n\u00e3o quer dizer que o sistema \u00e9 totalmente seguro. \u00c9 consenso que nenhuma tecnologia consegue chegar a esse n\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o. &#8220;Se o TSE dissesse que o sistema \u00e9 t\u00e3o bom quanto poss\u00edvel e que toma as medidas necess\u00e1rias para lidar com os problemas, tudo bem. O problema \u00e9 a falta de transpar\u00eancia e a nega\u00e7\u00e3o da realidade&#8221;, disse o professor S\u00edlvio Meira, fundador do Porto Digital, no Recife, e professor associado da Escola de Direito da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), no Rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Aranha e Maria Aparecida, Meira disse acreditar que a \u00fanica forma de garantir a confiabilidade do sistema eletr\u00f4nico seria fazer a vota\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m em papel, em todas as se\u00e7\u00f5es ou em apenas um determinado n\u00famero delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso de usar uma amostra, Meira disse acreditar que, por meio c\u00e1lculos estat\u00edsticos, seria poss\u00edvel confirmar o pleito eletr\u00f4nico. &#8220;Isso n\u00e3o atrasaria a divulga\u00e7\u00e3o dos resultados porque o que sai da urna \u00e9 v\u00e1lido. Mas voc\u00ea teria um prazo de mais alguns dias para fazer a comprova\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou. O professor lembrou que hoje j\u00e1 existe um prazo de 72 horas para contesta\u00e7\u00f5es e divulga\u00e7\u00e3o do resultado final das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A impress\u00e3o dos votos foi testada pelo TSE nas elei\u00e7\u00f5es de 2002. Segundo o tribunal, problemas como a quebra das impressoras, necessidade de mais treinamento dos mes\u00e1rios, d\u00favidas dos eleitores e o custo do uso geral do sistema inviabilizam seu uso. Aranha questiona essa conclus\u00e3o. &#8220;A \u00cdndia est\u00e1 adotando a impress\u00e3o de votos. Ser\u00e1 que para eles fica t\u00e3o caro assim?&#8221;, afirmou.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Equipamentos t\u00eam configura\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica simples<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por Gustavo Brigatto | De S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As urnas eletr\u00f4nicas s\u00e3o como um pequeno computador desenvolvido com o prop\u00f3sito espec\u00edfico de registrar votos. Desde o primeiro edital, em 1996, foram feitas nove compras de urnas. A fabricante americana Diebold, que adquiriu a brasileira Procomp, \u00e9 a maior vencedora das licita\u00e7\u00f5es, seguida de outra americana, a Unisys.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A configura\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica das urnas \u00e9 facilmente superada por boa parte dos atuais tablets e smartphones. Os equipamentos t\u00eam processador Intel Atom de 1,1 gigahertz (GHz) e mem\u00f3ria de 512 megabytes (MB), que pode ser ampliada para at\u00e9 dois gigabytes (GB). Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, o celular Moto G, da Motorola, tem processador de 1,2 GHz e 1 MB de mem\u00f3ria. A baixa capacidade de processamento, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 um problema porque as urnas n\u00e3o demandam v\u00eddeos, jogos e aplicativos, como ocorre nos celulares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As urnas rodam um sistema operacional do tipo Linux e programas desenvolvidos pelo pr\u00f3prio TSE. Nas se\u00e7\u00f5es eleitorais, elas funcionam desconectadas da internet e, segundo o TSE, nenhum programa funciona nas urnas, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o dos oficiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As urnas n\u00e3o t\u00eam mem\u00f3ria interna. Tudo que armazenam fica em cart\u00f5es de mem\u00f3ria s\u00e3o instalados pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) antes dos pleitos. Encerrada a vota\u00e7\u00e3o, cinco boletins com informa\u00e7\u00f5es da se\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de eleitores presentes e os votos dos candidatos e legendas s\u00e3o impressos em cinco vias: uma \u00e9 afixada na pr\u00f3pria se\u00e7\u00e3o, tr\u00eas v\u00e3o para o cart\u00f3rio eleitoral e uma \u00e9 entregue a representantes de partidos pol\u00edticos. Depois, as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o gravadas em um outro dispositivo, que \u00e9 encaminhado fisicamente ao TRE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.nivaldocleto.cnt.br\/news\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/arte03emp-101-urna-b5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-575\" title=\"arte03emp-101-urna-b5\" src=\"http:\/\/www.nivaldocleto.cnt.br\/news\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/arte03emp-101-urna-b5-300x219.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"219\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.nivaldocleto.cnt.br\/news\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/urna1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-576\" title=\"urna1\" src=\"http:\/\/www.nivaldocleto.cnt.br\/news\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/urna1-300x212.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"212\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Por Gustavo Brigatto | De S\u00e3o Paulo Quando 142,5 milh\u00f5es de brasileiros forem \u00e0s urnas no domingo, eles v\u00e3o depositar seus votos em um sistema eletr\u00f4nico que chega aos 18 anos elogiado pela velocidade na apura\u00e7\u00e3o dos resultados, mas criticado por especialistas pela postura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), considerada de pouca transpar\u00eancia, para lidar com brechas de seguran\u00e7a detectadas nas diferentes etapas do processo. &#8220;S\u00f3 confiar na palavra do TSE de que o sistema \u00e9 seguro n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u00c9 preciso ter transpar\u00eancia para mostrar como ele funciona&#8221;, disse Diego Aranha, professor de computa\u00e7\u00e3o da Universidade de Campinas (Unicamp). &#8220;At\u00e9 porque, as interfer\u00eancias podem vir de fora, mas tamb\u00e9m de dentro do pr\u00f3prio TSE. N\u00e3o d\u00e1 pra garantir a honestidade de todo mundo.&#8221; Aranha participou, em 2012, pela Universidade de Bras\u00edlia (UnB), de uma rodada de testes p\u00fablicos nos softwares das urnas eletr\u00f4nicas realizada pelo TSE. Na ocasi\u00e3o, 24 pesquisadores tiveram cinco horas para examinar os 90 mil arquivos e as 17 milh\u00f5es de linhas de c\u00f3digo que comp\u00f5em o sistema, que \u00e9 reescrito pelo TSE antes de cada elei\u00e7\u00e3o. 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