{"id":512,"date":"2014-02-18T17:22:07","date_gmt":"2014-02-18T20:22:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nivaldocleto.cnt.br\/news\/?p=512"},"modified":"2014-02-18T17:22:07","modified_gmt":"2014-02-18T20:22:07","slug":"no-sertao-internet-chega-no-lombo-de-jegues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/no-sertao-internet-chega-no-lombo-de-jegues\/","title":{"rendered":"No Sert\u00e3o, internet chega no lombo de jegues"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><em>Por Ivone Santana | De S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto as operadoras brigam no Sudeste pelo mercado de fibra \u00f3ptica com ultravelocidade de transmiss\u00e3o, de 120 a 500 megabits por segundo (Mbps), no Sert\u00e3o nordestino a tecnologia caminha a trotes lentos, muitas vezes nos lombos de burros de carga. A realidade da regi\u00e3o, afastada dos grandes centros urbanos, exp\u00f5e o ambiente in\u00f3spito e carente de infraestrutura, onde operadoras de telecomunica\u00e7\u00f5es e provedores de acesso \u00e0 internet brigam pela capacidade de rede dispon\u00edvel e competem pela aten\u00e7\u00e3o do sertanejo.<span style=\"font-size: 13px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As redes de acesso chegam \u00e0s maiores cidades do Sert\u00e3o, mas usu\u00e1rios de localidades com 16 mil habitantes, ou menos, t\u00eam problemas para navegar na web. Quanto mais distantes ficam as localidades, rumo ao interior do agreste, mais escassa \u00e9 a infraestrutura. Em muitos casos, a velocidade de acesso obtida \u00e9 t\u00e3o lenta que equivale \u00e0 internet discada, comum no Brasil nos anos 90 e no in\u00edcio de 2000.<span style=\"font-size: 13px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Para\u00edba e no Rio Grande do Norte, Oi, TIM (com a rede da sua unidade Intelig), Embratel, Eletronet e Telebras chegam a algumas \u00e1reas do Sert\u00e3o. Mas a abrang\u00eancia das redes \u00e9 limitada \u00e0s maiores localidades e os provedores reclamam da baixa disponibilidade para comprar capacidade de rede.<span style=\"font-size: 13px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A OndaNet, que oferece acesso local \u00e0 internet, decidiu buscar uma atua\u00e7\u00e3o independente e implantar sua pr\u00f3pria rede. Com a infraestrutura redundante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes teles, a ideia \u00e9 levar o servi\u00e7o a lugares onde as concorrentes ainda n\u00e3o chegaram.<span style=\"font-size: 13px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.nivaldocleto.cnt.br\/news\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/001jumneto1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-514\" title=\"001jumneto\" src=\"http:\/\/www.nivaldocleto.cnt.br\/news\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/001jumneto1-197x300.png\" alt=\"\" width=\"197\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terreno acidentado, pedregoso, escorregadio e com mata levou a OndaNet a optar por uma comunica\u00e7\u00e3o por r\u00e1dio, para dispensar a implanta\u00e7\u00e3o de cabos. A empresa contratou a integradora e distribuidora de sistemas Agora Telecom, sediada em S\u00e3o Paulo, que fez o estudo topogr\u00e1fico da regi\u00e3o e implantou o maior enlace de frequ\u00eancia licenciada no pa\u00eds com equipamentos da Cambium. Sediada nos Estados Unidos, a Cambiu comprou, em 2011, a divis\u00e3o de sistemas Canopy da Motorola, baseada em tecnologia de banda larga sem fio.<span style=\"font-size: 13px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem financiamento de bancos, nem acesso a linhas de cr\u00e9dito de institui\u00e7\u00f5es de fomento, a OndaNet contou com 100% do financiamento do pr\u00f3prio fornecedor, a Agora Telecom. S\u00f3 em r\u00e1dios, adquiridos nos \u00faltimos 20 meses, o custo foi de R$ 600 mil, com pagamento em 18 meses, disse Leonardo de Lima Gomes Filho, diretor e s\u00f3cio da OndaNet. Com 28 funcion\u00e1rios e 4 mil clientes, o provedor obteve receita de R$ 700 mil no ano passado.<span style=\"font-size: 13px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido \u00e0 topologia, n\u00e3o foi f\u00e1cil alcan\u00e7ar os morros onde os equipamentos precisavam ser instalados. Sem acesso por carro, restou a via a\u00e9rea, que tamb\u00e9m se mostrou invi\u00e1vel. O custo para alugar um helic\u00f3ptero era maior que o aluguel de outra torre, disse Iuri Britto, gerente regional de vendas da Agora Telecom.<span style=\"font-size: 13px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.nivaldocleto.cnt.br\/news\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/jumento2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-515\" title=\"jumento2\" src=\"http:\/\/www.nivaldocleto.cnt.br\/news\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/jumento2-284x300.png\" alt=\"\" width=\"284\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O meio mais barato e comum na regi\u00e3o \u00e9 a tra\u00e7\u00e3o animal. Assim, trabalhadores acompanharam os jumentos que transportaram os equipamentos desmontados morro acima. \u00c9 um paradoxo, diz Britto. &#8220;Um transporte pr\u00e9-hist\u00f3rico carregando equipamentos para o transporte de comunica\u00e7\u00e3o do futuro.&#8221;<span style=\"font-size: 13px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Fizemos o investimento porque n\u00e3o conseguimos comprar banda de ningu\u00e9m. A Eletronet consegue chegar, no m\u00e1ximo, a Campina Grande [Para\u00edba], mas o pre\u00e7o \u00e9 muito alto para n\u00f3s&#8221;, disse Gomes Filho, da OndaNet. &#8220;Para ligar o Sert\u00e3o ao resto do Estado, o ponto de passagem \u00e9 o Pico do Jabre, o mais alto da Para\u00edba, que apresenta muitos problemas ambientais, com poucas antenas legalizadas. Ent\u00e3o, procuramos outra alternativa para chegar a Sousa.&#8221; O provedor decidiu usar uma torre que tem em Lagoa Seca, em Acari, no Rio Grande do Norte. Fechou um enlace para a Serra do Comiss\u00e1rio, por meio de parceria da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Inclus\u00e3o Digital (Anid), para compartilhar uma torre da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">O percurso de Campina Grande a Cajazeiras, na Para\u00edba, \u00e9 de aproximadamente 300 km, mas como os enlaces n\u00e3o s\u00e3o em linha reta, a rede se estendeu por cerca de 400 km. Foram feitos sete enlaces, sendo que cada um deles interliga duas torres, totalizando oito torres para atingir Sousa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<span style=\"font-size: 13px;\">O sistema de r\u00e1dio estabelece 152,8 km de alinhamento de sinal entre a Serra do Comiss\u00e1rio e a Serra da Lagoa Seca, com dois r\u00e1dios Cambium Networks PTP 800 e duas antenas Andrew, uma em cada Estado.<\/span><span style=\"font-size: 13px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Fabiano Bellini, diretor da \u00e1rea de solu\u00e7\u00f5es em conectividade da Agora Telecom, as operadoras chegam \u00e0 regi\u00e3o com 100 megabits por segundo (Mbps) para distribuir aos clientes. Os provedores chegavam com sinal de 2 Mbps a 8 Mbps, no m\u00e1ximo, e o redistribu\u00edam para cem usu\u00e1rios. &#8220;Cada um ficava com 20 kilobits, quase uma linha discada&#8221;, disse Bellini. Com o par de r\u00e1dio, a velocidade pode atingir 236 Mbps.<span style=\"font-size: 13px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes da nova rede, a OndaNet usava r\u00e1dio com frequ\u00eancias livres e enlace de 5.8 gigahertz (GHz). Mas o sistema sofria muita interfer\u00eancia, at\u00e9 de telefone sem fio, e dispunha de pouca banda para transmiss\u00e3o. Agora, o provedor vende 2 Mbps a R$ 50 e 10 Mbps a R$ 119. &#8220;Conseguimos fazer planos parecidos com os dos grandes centros, mesmo com as dificuldades&#8221;, afirmou Gomes Filho. Em 2012, o pre\u00e7o era de R$ 50 por 1 Mbps. O provedor disse que entidades que representam o setor t\u00eam conseguido atrair mais aten\u00e7\u00e3o do governo, o que poder\u00e1 se reverter em regras com melhores condi\u00e7\u00f5es e pre\u00e7os de compartilhamento de rede no futuro.<span style=\"font-size: 13px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se para as grandes operadoras n\u00e3o desperta tanto interesse, para os pequenos provedores a regi\u00e3o d\u00e1 lucro, segundo Gomes Filho. A falta de apoio governamental, o financiamento restrito e o excesso de burocracia, por\u00e9m, criam um cen\u00e1rio em que de cada dez provedores, sete s\u00e3o informais, disse o executivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0Do<\/em><span style=\"font-size: 13px;\"><em>\u00a0Valor Econ\u00f4mico<\/em>\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivone Santana | De S\u00e3o Paulo Enquanto as operadoras brigam no Sudeste pelo mercado de fibra \u00f3ptica com ultravelocidade de transmiss\u00e3o, de 120 a 500 megabits por segundo (Mbps), no Sert\u00e3o nordestino a tecnologia caminha a trotes lentos, muitas vezes nos lombos de burros de carga. A realidade da regi\u00e3o, afastada dos grandes centros urbanos, exp\u00f5e o ambiente in\u00f3spito e carente de infraestrutura, onde operadoras de telecomunica\u00e7\u00f5es e provedores de acesso \u00e0 internet brigam pela capacidade de rede dispon\u00edvel e competem pela aten\u00e7\u00e3o do sertanejo.\u00a0 As redes de acesso chegam \u00e0s maiores cidades do Sert\u00e3o, mas usu\u00e1rios de localidades com 16 mil habitantes, ou menos, t\u00eam problemas para navegar na web. Quanto mais distantes ficam as localidades, rumo ao interior do agreste, mais escassa \u00e9 a infraestrutura. Em muitos casos, a velocidade de acesso obtida \u00e9 t\u00e3o lenta que equivale \u00e0 internet discada, comum no Brasil nos anos 90 e no in\u00edcio de 2000.\u00a0 Na Para\u00edba e no Rio Grande do Norte, Oi, TIM (com a rede da sua unidade Intelig), Embratel, Eletronet e Telebras chegam a algumas \u00e1reas do Sert\u00e3o. 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