{"id":3591,"date":"2025-12-09T17:02:42","date_gmt":"2025-12-09T20:02:42","guid":{"rendered":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/?p=3591"},"modified":"2025-12-09T17:02:42","modified_gmt":"2025-12-09T20:02:42","slug":"aumento-de-capital-com-lucros-tributa-ir-analise-da-lei-15-270-25","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/aumento-de-capital-com-lucros-tributa-ir-analise-da-lei-15-270-25\/","title":{"rendered":"Aumento de capital com lucros tributa IR? An\u00e1lise da lei 15.270\/25"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><strong>A capitaliza\u00e7\u00e3o de lucros no aumento de capital ganhou novo peso com a lei 15.270. Ela continua isenta? Entenda quando a opera\u00e7\u00e3o segue sem IR e quando gera efeitos fiscais para altas rendas.<\/strong><\/p>\n<p>Por: Diego Luiz Amorim*<\/p>\n<p>Com a san\u00e7\u00e3o da lei 15.270\/25, proveniente do PL 1087\/25, profissionais de contabilidade e do direito foram impulsionados a revisar estruturas empresariais em busca de seguran\u00e7a jur\u00eddica e reduzir potenciais impactos da tributa\u00e7\u00e3o sobre dividendos.<\/p>\n<p>A possibilidade de tributa\u00e7\u00e3o de lucros e dividendos gerou uma verdadeira corrida pela distribui\u00e7\u00e3o at\u00e9 31\/12\/2025.<\/p>\n<p>No entanto, um ponto pouco discutido, mas absolutamente relevante, diz respeito ao aumento de capital social com lucros j\u00e1 apurados, opera\u00e7\u00e3o frequente em empresas de todos os portes. Surge, ent\u00e3o, a pergunta central:<\/p>\n<p>O aumento de capital social com capitaliza\u00e7\u00e3o de lucros pode ser tributada?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1 &#8211; O que \u00e9, exatamente, \u201caumentar capital com lucros\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria denomina essa opera\u00e7\u00e3o como aumento de capital mediante capitaliza\u00e7\u00e3o (ou incorpora\u00e7\u00e3o) de lucros, disciplinada no art. 169 da lei 6.404\/1976. Apesar de ser um dispositivo das sociedades an\u00f4nimas, aplica-se por analogia \u00e0s sociedades limitadas.<\/p>\n<p>E aqui est\u00e1 o ponto mais importante &#8211; que precisa ser compreendido antes de qualquer an\u00e1lise tribut\u00e1ria:<\/p>\n<p>Trata-se de lucros j\u00e1 apurados em exerc\u00edcios anteriores, que foram destinados para \u201clucros acumulados\u201d ou para \u201creservas de lucros\u201d, ou seja, mantidos no patrim\u00f4nio l\u00edquido da empresa.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de distribui\u00e7\u00e3o de lucros, mas da destina\u00e7\u00e3o de resultados j\u00e1 apurados em exerc\u00edcios anteriores, registrados como lucros acumulados ou reservas de lucros.<\/p>\n<p>Ou seja:<\/p>\n<ul>\n<li>a empresa n\u00e3o est\u00e1 distribuindo e pagando dividendos;<\/li>\n<li>o s\u00f3cio n\u00e3o est\u00e1 recebendo dinheiro;<\/li>\n<li>n\u00e3o h\u00e1 cr\u00e9dito individualizado ao s\u00f3cio no passivo exig\u00edvel;<\/li>\n<li>o lucro permanece dentro da sociedade, sendo apenas reempregado no capital.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Trata-se de uma opera\u00e7\u00e3o interna ao patrim\u00f4nio l\u00edquido, voltada \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil e societ\u00e1ria. O aumento de capital mediante a incorpora\u00e7\u00e3o de lucros ou reservas pode ocorrer pela emiss\u00e3o de novas quotas ou a\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o distribu\u00eddas diretamente pela sociedade aos s\u00f3cios, n\u00e3o havendo subscri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alternativamente, essa opera\u00e7\u00e3o pode ser realizada por meio da altera\u00e7\u00e3o do valor nominal das quotas ou a\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes, quando estas possu\u00edrem valor definido.<\/p>\n<p>Quando as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o tiverem valor nominal, o aumento de capital pode ocorrer sem a distribui\u00e7\u00e3o de novas a\u00e7\u00f5es, refletindo apenas a reclassifica\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil no patrim\u00f4nio l\u00edquido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2 &#8211; Reflexos financeiros e a natureza do rendimento<\/strong><\/p>\n<p>Ao capitalizar lucros, o s\u00f3cio passa a deter:<\/p>\n<ul>\n<li>um aumento proporcional de sua participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria;<\/li>\n<li>um incremento no custo de aquisi\u00e7\u00e3o das quotas ou a\u00e7\u00f5es;<\/li>\n<li>por\u00e9m, n\u00e3o recebe valores em esp\u00e9cie.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A Receita Federal reconhece esse incremento como rendimento, todavia isento ou n\u00e3o sujeito ao imposto de renda (a depender da interpreta\u00e7\u00e3o), conforme art. 8\u00ba, III, da IN RFB 1.500\/14:<\/p>\n<p>Art. 8\u00ba S\u00e3o isentos ou n\u00e3o se sujeitam ao imposto sobre a renda, os seguintes rendimentos de participa\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias:<\/p>\n<p>III &#8211; valores decorrentes de aumento de capital mediante a incorpora\u00e7\u00e3o de reservas ou lucros apurados a partir de 1\u00ba de janeiro de 1996, por pessoas jur\u00eddicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado;<\/p>\n<p>Ou seja, a capitaliza\u00e7\u00e3o de lucros n\u00e3o \u00e9 tribut\u00e1vel pelo IR na sistem\u00e1tica tradicional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3 &#8211; O novo regime da lei 15.270\/25 e o impacto no aumento de capital<\/strong><\/p>\n<p>A lei 15.270\/25 criou um mecanismo in\u00e9dito: a apura\u00e7\u00e3o anual da soma de todos os rendimentos do contribuinte pessoa f\u00edsica (tribut\u00e1veis e inclusive os isentos) para verificar se ultrapassou o teto de R$ 600 mil, o chamado conceito de \u201caltas rendas\u201d.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a opera\u00e7\u00e3o de aumento de capital assume relev\u00e2ncia tribut\u00e1ria, por constituir rendimento, que passar\u00e1 a integrar o c\u00e1lculo da renda total do contribuinte a partir de 2026.<\/p>\n<p>Assim:<\/p>\n<ul>\n<li>o rendimento continua isento ou n\u00e3o sujeito ao imposto de renda;<\/li>\n<li>mas pode desencadear obriga\u00e7\u00f5es de reten\u00e7\u00e3o mensal e complementa\u00e7\u00e3o anual;<\/li>\n<li>tornando a opera\u00e7\u00e3o potencialmente onerosa, dependendo do conjunto dos rendimentos auferidos pelo s\u00f3cio pessoa f\u00edsica.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4 &#8211; A anterioridade protege aumentos realizados em 2025<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 tributa\u00e7\u00e3o dos aumentos de capital executados ainda em 2025, por for\u00e7a da anterioridade anual (CF, art. 150, III, \u201cb\u201d). A tributa\u00e7\u00e3o, quando houver, somente pode ter in\u00edcio em 2026.<\/p>\n<p>Assim, aumentos de capital com lucros realizados neste ano permanecem sob a l\u00f3gica antiga: isentos e fora do c\u00e1lculo das altas rendas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5 &#8211; A chave est\u00e1 no art. 16-A, \u00a71\u00ba, XII: distribui\u00e7\u00e3o at\u00e9 2025 e \u201cemprego\u201d dos dividendos<\/strong><\/p>\n<p>Para lucros apurados at\u00e9 2025, o legislador criou um regime de neutralidade tribut\u00e1ria. O art. 16-A, \u00a71\u00ba, XII, prev\u00ea que n\u00e3o entrar\u00e3o no c\u00e1lculo das altas rendas os lucros:<\/p>\n<p>a) apurados at\u00e9 2025;<\/p>\n<p>b) cuja distribui\u00e7\u00e3o tenha sido aprovada at\u00e9 31\/12\/2025 pelo \u00f3rg\u00e3o societ\u00e1rio competente;<\/p>\n<p>c) desde que ocorra o pagamento, cr\u00e9dito, emprego ou entrega entre 2026 e 2028.<\/p>\n<p>E aqui est\u00e1 a interpreta\u00e7\u00e3o crucial:<\/p>\n<p>A lei permite o \u201cemprego\u201d dos dividendos &#8211; e emprego inclui a utiliza\u00e7\u00e3o desses dividendos para aumento de capital.<\/p>\n<p>Isso significa que, se:<\/p>\n<ul>\n<li>os lucros forem distribu\u00eddos at\u00e9 31\/12\/2025;<\/li>\n<li>e, posteriormente, entre 2026 e 2028, o s\u00f3cio utilizar esses dividendos para integralizar aumento de capital, n\u00e3o haver\u00e1 tributa\u00e7\u00e3o nem reten\u00e7\u00e3o, independentemente do valor.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A conjun\u00e7\u00e3o \u201cou\u201d, presente na al\u00ednea \u201cc\u201d, refor\u00e7a a natureza alternativa: o s\u00f3cio cumpre a lei pagando, creditando, entregando ou empregando.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, ainda, apontar uma interpreta\u00e7\u00e3o relevante: o pagamento dos dividendos pela sociedade mediante emiss\u00e3o de novas quotas pode ser compreendido nos mesmos termos do que ocorre no m\u00fatuo convers\u00edvel.<\/p>\n<p>No m\u00fatuo convers\u00edvel:<\/p>\n<ul>\n<li>o investidor empresta recursos e torna-se credor da empresa;<\/li>\n<li>no evento de convers\u00e3o, esse cr\u00e9dito \u00e9 \u201cpago\u201d pela sociedade mediante emiss\u00e3o de quotas;<\/li>\n<li>h\u00e1, portanto, quita\u00e7\u00e3o sem desembolso de caixa, substituindo-se o cr\u00e9dito por participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria.<\/li>\n<\/ul>\n<p>De forma semelhante, quando a sociedade distribuiu dividendos at\u00e9 2025 e, entre 2026 e 2028, o s\u00f3cio decide empregar esse cr\u00e9dito (dos dividendos) para integralizar um aumento de capital, a sociedade:<\/p>\n<ul>\n<li>paga o dividendo n\u00e3o em dinheiro, mas por meio de quotas rec\u00e9m-emitidas;<\/li>\n<li>cumpre a al\u00ednea \u201cc\u201d (\u201cpagamento, cr\u00e9dito, emprego ou entrega\u201d);<\/li>\n<li>e preserva integralmente a neutralidade fiscal prevista na lei.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Essa interpreta\u00e7\u00e3o se mostra coerente, t\u00e9cnica e extremamente \u00fatil para sociedades que n\u00e3o possuem caixa imediato para pagar os dividendos at\u00e9 2028, permitindo o cumprimento integral do regime de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>6 &#8211; A natureza jur\u00eddico-tribut\u00e1ria dos rendimentos decorrentes da participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria: isen\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o incid\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>A correta qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica dos rendimentos provenientes de participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria, especialmente aqueles oriundos de lucros acumulados e reservas de lucros empregados em aumentos de capital, \u00e9 fundamental para compreender seus efeitos na apura\u00e7\u00e3o do imposto de renda da pessoa f\u00edsica e, de forma mais sens\u00edvel, na aferi\u00e7\u00e3o da renda global prevista no art. 16-A da lei 15.270\/25.<\/p>\n<p>O ponto de partida \u00e9 o pr\u00f3prio art. 8\u00ba da IN RFB 1.500\/14, que distingue hip\u00f3teses de rendimento tribut\u00e1vel, por\u00e9m isento, daquelas que configuram rendimento n\u00e3o sujeito \u00e0 incid\u00eancia, aproximando-se, portanto, da n\u00e3o incid\u00eancia qualificada.<\/p>\n<p>Os incisos I e II tratam de situa\u00e7\u00f5es cuja tributa\u00e7\u00e3o \u00e9 afastada por meio de isen\u00e7\u00e3o legal, logo, permanecem juridicamente enquadradas como rendimentos tribut\u00e1veis.<\/p>\n<p>J\u00e1 os incisos III e IV podem ser compreendidos como hip\u00f3teses de n\u00e3o incid\u00eancia: opera\u00e7\u00f5es em que, pela pr\u00f3pria natureza jur\u00eddica, o fato existe, mas n\u00e3o gera obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 meramente te\u00f3rica. Conforme leciona Kiyoshi Harada1, \u201ca n\u00e3o incid\u00eancia expressa em lei implica necessariamente modifica\u00e7\u00e3o parcial da norma definidora do fato gerador da obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. Representa aquilo que em Direito Penal se denomina de fen\u00f4meno da descriminaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A descriminaliza\u00e7\u00e3o ocorre porque determinada conduta est\u00e1 definida como crime.<\/p>\n<p>Igualmente a n\u00e3o incid\u00eancia tribut\u00e1ria juridicamente qualificada ocorre para evitar a incid\u00eancia da norma jur\u00eddica de tributa\u00e7\u00e3o\u201d. A isen\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio, pressup\u00f5e fato gerador ocorrido e obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria existente, dispensando-se o pagamento em raz\u00e3o de norma espec\u00edfica, entendimento, ali\u00e1s, consolidado pelo STF.<\/p>\n<p>Esse debate assume especial relev\u00e2ncia quando confrontado com o art. 16-A e \u00a71\u00ba da lei 15.270\/25, que define o somat\u00f3rio dos rendimentos para fins de aferi\u00e7\u00e3o de altas rendas, acima de R$ 600 mil anuais.<\/p>\n<p>O dispositivo utiliza um rol exemplificativo de rendimentos tribut\u00e1veis, ainda que isentos, a serem inclu\u00eddos na soma total. Justamente por essa raz\u00e3o, se determinado acr\u00e9scimo patrimonial \u00e9 qualificado como n\u00e3o sujeito ao imposto de renda, n\u00e3o h\u00e1 fundamento jur\u00eddico para integr\u00e1-lo ao c\u00e1lculo global, pois, embora o dispositivo apresente um rol exemplificativo, a interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica conduz \u00e0 conclus\u00e3o de que devem ser considerados apenas os rendimentos efetivamente pass\u00edveis de tributa\u00e7\u00e3o, ainda que alguma lei lhes confira isen\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Incluir no c\u00e1lculo global tal rendimento n\u00e3o sujeito ao imposto de renda implicaria trat\u00e1-lo como tribut\u00e1vel por via reflexa, gerando novo fato gerador por presun\u00e7\u00e3o, hip\u00f3tese incompat\u00edvel com o art. 146, III, \u201ca\u201d, da Constitui\u00e7\u00e3o, que exige lei complementar para definir normas gerais em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por outro lado, o art. 10 da lei 9.249\/1995, ao dispor sobre a \u201cisen\u00e7\u00e3o\u201d do imposto de renda incidente sobre dividendos, embora empregue a express\u00e3o \u201cn\u00e3o ficar\u00e3o sujeitos \u00e0 incid\u00eancia\u201d, tem sido tradicionalmente interpretado como hip\u00f3tese de isen\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de n\u00e3o incid\u00eancia.<\/p>\n<p>A mesma interpreta\u00e7\u00e3o poderia se ter do \u00a71\u00ba do mesmo artigo, que disciplina o custo de aquisi\u00e7\u00e3o das quotas ou a\u00e7\u00f5es oriundas da capitaliza\u00e7\u00e3o de lucros. Esse contexto evidencia que a an\u00e1lise hermen\u00eautica deve ser conduzida \u00e0 luz da l\u00f3gica sistem\u00e1tica do ordenamento, e n\u00e3o apenas da literalidade do texto legal.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, permanece aberta a discuss\u00e3o sobre se tais acr\u00e9scimos patrimoniais devem ser tratados como rendimentos tribut\u00e1veis isentos ou como rendimentos n\u00e3o sujeitos \u00e0 incid\u00eancia, bem como se os n\u00e3o tribut\u00e1veis devem ser considerados no c\u00e1lculo global.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o, contudo, produz efeitos concretos relevantes, especialmente no c\u00e1lculo do imposto m\u00ednimo e na verifica\u00e7\u00e3o do limite anual de R$ 600 mil. Trata-se, portanto, de tema que exige interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, profundo dom\u00ednio das categorias tribut\u00e1rias e aten\u00e7\u00e3o redobrada dos profissionais que lidam com planejamento e tributa\u00e7\u00e3o da renda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7 &#8211; Conclus\u00e3o: o aumento de capital com lucros tributa?<\/strong><\/p>\n<p>A resposta depende da interpreta\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o do rendimento como isento ou n\u00e3o sujeito ao imposto de renda e, sobretudo, da an\u00e1lise sobre se, mesmo n\u00e3o estando sujeito \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o, esse rendimento deve ser somado ao conjunto dos demais para a aferi\u00e7\u00e3o do valor final.<\/p>\n<p>Admitindo-se que seja necess\u00e1ria a inclus\u00e3o de todos os rendimentos recebidos, independentemente da sua natureza tribut\u00e1vel ou n\u00e3o, torna-se indispens\u00e1vel avaliar tamb\u00e9m o ano da opera\u00e7\u00e3o e do cumprimento das formalidades:<\/p>\n<p>Em 2025:<\/p>\n<ul>\n<li>n\u00e3o tributa;<\/li>\n<li>n\u00e3o entra no limite das altas rendas;<\/li>\n<li>segue como rendimento isento ou n\u00e3o sujeito ao imposto de renda, sem efeitos adversos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A partir de 2026:<\/p>\n<ul>\n<li>entra no c\u00e1lculo dos rendimentos totais para verificar se supera R$ 600 mil;<\/li>\n<li>pode exigir reten\u00e7\u00e3o de 10% (se superior a R$ 50 mil);<\/li>\n<li>pode gerar tributa\u00e7\u00e3o complementar na declara\u00e7\u00e3o anual do ano seguinte (2027).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Se os lucros forem distribu\u00eddos at\u00e9 31\/12\/2025 e depois os dividendos empregados no aumento de capital (at\u00e9 2028):<\/p>\n<ul>\n<li>permanecem totalmente isentos;<\/li>\n<li>n\u00e3o geram reten\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>n\u00e3o integram o c\u00e1lculo das altas rendas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Existem outras estrat\u00e9gias societ\u00e1rias e tribut\u00e1rias poss\u00edveis, e o acompanhamento t\u00e9cnico qualificado de profissionais da \u00e1rea ser\u00e1 decisivo para que empresas e s\u00f3cios evitem a nova tributa\u00e7\u00e3o de forma l\u00edcita e eficiente.<\/p>\n<p>_______<\/p>\n<p>1 HARADA, Kiyoshi. Imunidade, N\u00e3o Incid\u00eancia e Isen\u00e7\u00e3o: Doutrina e Pr\u00e1tica. Indaiatuba, SP: Editora Foco, 2020.<\/p>\n<p><em>*Diego Luiz Amorim \u00e9 Formado em Direito, Cont\u00e1beis e Administra\u00e7\u00e3o, com p\u00f3s em Societ\u00e1rio e Empresarial e MBA em Gest\u00e3o P\u00fablica. Diretor na JUCESC, professor e assessor nas \u00e1reas societ\u00e1ria, cont\u00e1bil e tribut\u00e1ria.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A capitaliza\u00e7\u00e3o de lucros no aumento de capital ganhou novo peso com a lei 15.270. Ela continua isenta? Entenda quando a opera\u00e7\u00e3o segue sem IR e quando gera efeitos fiscais para altas rendas. Por: Diego Luiz Amorim* Com a san\u00e7\u00e3o da lei 15.270\/25, proveniente do PL 1087\/25, profissionais de contabilidade e do direito foram impulsionados a revisar estruturas empresariais em busca de seguran\u00e7a jur\u00eddica e reduzir potenciais impactos da tributa\u00e7\u00e3o sobre dividendos. A possibilidade de tributa\u00e7\u00e3o de lucros e dividendos gerou uma verdadeira corrida pela distribui\u00e7\u00e3o at\u00e9 31\/12\/2025. No entanto, um ponto pouco discutido, mas absolutamente relevante, diz respeito ao aumento de capital social com lucros j\u00e1 apurados, opera\u00e7\u00e3o frequente em empresas de todos os portes. Surge, ent\u00e3o, a pergunta central: O aumento de capital social com capitaliza\u00e7\u00e3o de lucros pode ser tributada? &nbsp; 1 &#8211; O que \u00e9, exatamente, \u201caumentar capital com lucros\u201d A legisla\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria denomina essa opera\u00e7\u00e3o como aumento de capital mediante capitaliza\u00e7\u00e3o (ou incorpora\u00e7\u00e3o) de lucros, disciplinada no art. 169 da lei 6.404\/1976. Apesar de ser um dispositivo das sociedades an\u00f4nimas, aplica-se por analogia \u00e0s sociedades limitadas. E aqui est\u00e1 o ponto mais importante &#8211; que precisa ser compreendido antes de qualquer an\u00e1lise tribut\u00e1ria: Trata-se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3592,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-3591","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3591","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3591"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3591\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3593,"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3591\/revisions\/3593"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3592"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}