{"id":287,"date":"2013-02-08T15:22:15","date_gmt":"2013-02-08T17:22:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nivaldocleto.cnt.br\/news\/?p=287"},"modified":"2013-02-08T15:22:15","modified_gmt":"2013-02-08T17:22:15","slug":"ate-quando-vamos-curtir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/ate-quando-vamos-curtir\/","title":{"rendered":"At\u00e9 quando vamos curtir?"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;\">Por Jo\u00e3o Luiz Rosa, Guilherme Bryan e Wendel Martins | De S\u00e3o Paulo<\/span><\/p>\n<div><span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;\"><br \/>\n<\/span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.valor.com.br\/sites\/default\/files\/gn\/13\/02\/foto08cul-801-capa-d18.jpg\" alt=\"\" width=\"544\" height=\"402\" \/><\/div>\n<p><em>Turista diante da fachada da empresa, em Menlo Park, Calif\u00f3rnia: por sua abrang\u00eancia, o Facebook n\u00e3o tem hoje nenhum concorrente direto com o mesmo apelo entre os usu\u00e1rios, embora seja constantemente acossado por redes segmentadas, como o LinkedIn e o Pinterest<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dez anos podem parecer pouco tempo para historiadores e antrop\u00f3logos, mas no setor de tecnologia da\u00a0<a id=\"_GPLITA_1\" title=\"Click to Continue &gt; by InstantSavings\" href=\"http:\/\/www.4mail.com.br\/Artigo\/Display\/020026091654901#\">informa\u00e7\u00e3o<\/a>, cujos ciclos de inova\u00e7\u00e3o ficam cada vez mais curtos, uma d\u00e9cada representa uma eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem entrasse em uma m\u00e1quina do tempo em 1995, quando a internet foi lan\u00e7ada no Brasil, e saltasse em 2005, teria dificuldades de entender o mundo. Esse per\u00edodo foi suficiente para fazer que a rede mundial passasse de uma curiosidade cient\u00edfica para um fen\u00f4meno de massa. Dos 16 milh\u00f5es de usu\u00e1rios de meados da d\u00e9cada, ou 0,4% da popula\u00e7\u00e3o, a web passou a ser acessada por 1,018 bilh\u00e3o de pessoas, 15,7% dos habitantes do planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que ao completar dez anos desde sua cria\u00e7\u00e3o, em 2003, o Facemash, sistema que deu origem ao Facebook, representa tanto um motivo de assombro &#8211; a rede social mais famosa do mundo ultrapassou 1 bilh\u00e3o de usu\u00e1rios ativos em outubro &#8211; como uma fonte de inquieta\u00e7\u00e3o: em 2013, ainda vamos &#8220;curtir&#8221; o Facebook?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como muitas inova\u00e7\u00f5es, o Facemash nasceu de maneira despretensiosa, em um dormit\u00f3rio universit\u00e1rio. Na noite de 28 de outubro de 2003, um jovem estudante da Universidade de Harvard, Mark Zuckerberg, ent\u00e3o com 19 anos, blogou: &#8220;Que o hacking comece&#8221;. A seguir, colocou no ar um site com imagens dos estudantes de nove dormit\u00f3rios da universidade para que escolhessem o mais belo. Em quatro horas, foram registradas mais de 450 visitas e 22 mil visualiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O site original, o Facemash.com, foi leiloado em 25 de outubro de 2010 pelo empres\u00e1rio e banqueiro Rahul Jain a um comprador desconhecido. O valor pago foi de US$ 30 mil. Mas a companhia a que o sistema deu origem \u00e9 incrivelmente maior. Na quarta-feira, o Facebook ostentava um valor de mercado de quase US$ 78 bilh\u00f5es, com a\u00e7\u00f5es negociadas na bolsa eletr\u00f4nica Nasdaq. O\u00a0<a id=\"_GPLITA_0\" title=\"Click to Continue &gt; by InstantSavings\" href=\"http:\/\/www.4mail.com.br\/Artigo\/Display\/020026091654901#\">faturamento<\/a>, de US$ 3,7 bilh\u00f5es em 2011, aumentou 40% no ano passado, para cerca de US$ 5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 algo de &#8220;Big Brother&#8221; &#8211; o programa de TV, n\u00e3o o livro de George Orwell &#8211; nessa trajet\u00f3ria do Facebook. O sucesso de uma tecnologia costuma ir al\u00e9m de seus m\u00e9ritos t\u00e9cnicos. Em geral, as empresas mais bem-sucedidas s\u00e3o aquelas que captam uma tend\u00eancia no ar e, a partir de um aparato tecnol\u00f3gico, conseguem transform\u00e1-la em algo concreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi assim com a Microsoft, que nos anos 90 entendeu que o computador, at\u00e9 ent\u00e3o restrito aos centros de processamento de dados, poderia chegar \u00e0 casa das pessoas. Foi assim tamb\u00e9m com o Google, que organizou os dados na internet, tornando a rede muito mais \u00fatil e relevante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que o Facebook parece ter captado \u00e9 um certo desejo de celebridade, que permite \u00e0s pessoas comuns falarem o que quiserem, sobre o que bem entenderem, a um n\u00famero de contatos aparentemente inesgot\u00e1vel: quanto mais amigos tem a rede pessoal, maior o alcance do que \u00e9 mostrado, sejam fotos, v\u00eddeos ou meramente opini\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nos anos 90 e in\u00edcio dos 2000, o que chamamos hoje de rede social eram as comunidades virtuais. Essas eram an\u00f4nimas e tem\u00e1ticas. As pessoas se reuniam para discutir temas de interesse. Parecia mais uma pra\u00e7a. Hoje parece mais um clube, ou um condom\u00ednio, onde as pessoas criam as suas comunidades de amigos conhecidos ou pr\u00f3ximos e circulam informa\u00e7\u00f5es&#8221;, diz Andr\u00e9 Lemos, professor de comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia (UFBA).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em agosto, o arquiteto Frank Gehry apresentou a Zuckerberg o projeto de nova sede para o Facebook<br \/>\nComo em qualquer fen\u00f4meno complexo, \u00e9 preciso evitar generaliza\u00e7\u00f5es. Colocar a foto das f\u00e9rias no Facebook ou comentar sobre um assunto do dia n\u00e3o quer dizer que a pessoa queira se tornar famosa no sentido mais comum do termo. A din\u00e2mica \u00e9 de outra natureza: \u00e0 medida que acrescenta contatos \u00e0 sua rede, o usu\u00e1rio trata como iguais pessoas com as quais t\u00eam diferentes graus de rela\u00e7\u00e3o. Comentar o jogo da sele\u00e7\u00e3o pode fazer sentido para o companheiro de &#8220;pelada&#8221;, mas n\u00e3o para o americano conhecido em viagem de neg\u00f3cios \u00e0 China. Esse nivelamento re\u00fane em uma plateia supostamente homog\u00eanea pessoas de grupos distintos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O efeito &#8220;Big Brother&#8221; \u00e9 mais n\u00edtido entre os que navegam na rede muito mais para ver do que ser vistos. Como no &#8220;reality show&#8221;, no Facebook \u00e9 poss\u00edvel ver quem est\u00e1 namorando quem, &#8220;espiar&#8221; a casa nova do colega de trabalho ou o carro que o chefe deu de presente \u00e0 mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com essa abrang\u00eancia, o Facebook n\u00e3o tem hoje nenhum concorrente direto com o mesmo apelo entre os usu\u00e1rios, embora seja constantemente acossado por redes segmentadas &#8211; como o LinkedIn, de contatos profissionais, e o Pinterest, de compartilhamento de interesses &#8211; e iniciativas como o Google+, um conjunto de recursos sociais incorporados aos sites do Google.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O Facebook enfrenta uma concorr\u00eancia crescente do modelo do Google+, que oferece m\u00faltiplas possibilidades de conex\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o das articula\u00e7\u00f5es entre seus integrantes&#8221;, observa S\u00e9rgio Amadeu da Silveira, presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e professor da Universidade Federal do ABC. &#8220;Por isso, o Facebook est\u00e1 se reorganizando, na tentativa de ser uma rede total, que mais realize as necessidades de comunica\u00e7\u00e3o das pessoas. O LinkedIn e outras redes sociais est\u00e3o enfrentando forte press\u00e3o devido a essa pol\u00edtica expansionista tanto do Facebook quanto do Google.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O futuro dos an\u00fancios sociais pertence \u00e0s plataformas m\u00f3veis&#8221; diz Leonardo Trist\u00e3o, que dirige os neg\u00f3cios do Facebook no Brasil<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel que novas amea\u00e7as \u00e0 hegemonia do Facebook estejam em gesta\u00e7\u00e3o. &#8220;Uma rede magn\u00edfica \u00e9 o Club Penguin, voltado para crian\u00e7as, que conta com o apoio dos pais por ser mais controlada. Se fizer bem a transi\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a para o adolescente, a rede poder\u00e1, em m\u00e9dio prazo, ser um fort\u00edssimo concorrente&#8221;, afirma Luli Radfahrer, consultor de marca na internet, inova\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o colaborativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A relev\u00e2ncia do Club Penguin, pertencente \u00e0 Walt Disney, e de redes semelhantes como a brasileira O Mundo do S\u00edtio, \u00e9 ditada pela ades\u00e3o maci\u00e7a do p\u00fablico infantil aos sites de relacionamento. Em outubro, o Comit\u00ea Gestor da Internet do Brasil (CGI.br) revelou que entre as crian\u00e7as de 9 a 11 anos h\u00e1 uma ades\u00e3o de 42% \u00e0s redes sociais, \u00edndice que sobe para 70% na faixa de 11 a 16 anos. O p\u00fablico jovem tamb\u00e9m parece ser o alvo do Tumblr, plataforma de blogging. Entre as pessoas com menos de 19 anos, a rede de microblogs j\u00e1 \u00e9 mais utilizada que o Facebook.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O maior advers\u00e1rio do Facebook, no entanto, pode n\u00e3o ser uma empresa. Parece contradit\u00f3rio, mas a popularidade de uma rede eventualmente se vira contra ela, como ocorreu com o Orkut, do Google. Muito procurado a princ\u00edpio, o Orkut come\u00e7ou a ser abandonado pelo p\u00fablico sob a justificativa de que havia ficado popular demais. &#8220;As m\u00eddias sociais no Brasil e no mundo s\u00e3o iguais restaurantes &#8211; abrem, viram um &#8216;boom&#8217; e, de repente, deixam de ser frequentados. S\u00f3 continuam se o servi\u00e7o for muito bom&#8221;, afirma Gil Giardelli, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A exposi\u00e7\u00e3o excessiva pode ser um problema para redes de car\u00e1ter geral como o Facebook. As pessoas est\u00e3o tomando mais cuidado com as informa\u00e7\u00f5es que publicam em suas p\u00e1ginas, \u00e0 medida que percebem os riscos a que est\u00e3o sujeitas. Um &#8220;post&#8221; inocente sobre as f\u00e9rias indica a possibilidade de que a casa est\u00e1 sozinha, em um potencial convite para ladr\u00f5es. Golpistas tamb\u00e9m j\u00e1 se aproveitaram de reclama\u00e7\u00f5es de usu\u00e1rios sobre um produto para se passar por representantes do fabricante em quest\u00e3o e lesar as v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em maio, as a\u00e7\u00f5es da empresa foram lan\u00e7adas com estrondo na Nasdaq, mas, desde ent\u00e3o, os pap\u00e9is nunca voltaram sequer ao seu pre\u00e7o inicial<br \/>\nOutros tipos de comportamento come\u00e7am a ser revistos. O sujeito que se deixa fotografar em fim de festa, com o rosto afogueado, sem camisa e com a gravata amarrada na testa pode se arrepender na hora de procurar emprego. Se o recrutador encontrar a imagem na rede social, \u00e9 poss\u00edvel que o curr\u00edculo dele v\u00e1 direto para o fim da fila.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, por ora, o Facebook n\u00e3o parece ter o que temer em termos de popularidade. O pa\u00eds encerrou 2012 como o segundo no ranking de usu\u00e1rios ativos da rede no mundo, com 67 milh\u00f5es de pessoas, segundo o Facebook. A base s\u00f3 \u00e9 inferior \u00e0 dos Estados Unidos. Al\u00e9m disso, os brasileiros tamb\u00e9m passam um tempo expressivo no Facebook. Segundo Alex Banks, diretor da empresa de pesquisa comScore, a rede social \u00e9 destino de um ter\u00e7o dos minutos gastos na internet pelos brasileiros. No mundo, o Facebook responde por uma m\u00e9dia de 13% do tempo gasto na web.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o escrit\u00f3rio do Facebook no Brasil vive um momento de expans\u00e3o. Com mais de 40 funcion\u00e1rios, al\u00e9m de 13 vagas abertas, \u00e9 a sede para a Am\u00e9rica Latina, com posi\u00e7\u00f5es administrativas, criativas e de engenharia. O escrit\u00f3rio, que ocupa mais de mil metros quadrados, est\u00e1 alinhada \u00e0 cultura do Facebook, com espa\u00e7o aberto para todos os funcion\u00e1rios &#8211; sem salas particulares -, espa\u00e7os para integra\u00e7\u00e3o, uma minicozinha e algumas \u00e1reas cujas paredes s\u00e3o decoradas pelos pr\u00f3prios funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A despeito do sucesso no Brasil e em outros mercados, o Facebook est\u00e1 em uma corrida para ingressar em novos segmentos e manter a relev\u00e2ncia. \u00c9 uma tentativa de prever para onde o p\u00fablico vai e antecipar-se nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo da tecnologia est\u00e1 repleto de exemplos de companhias que dominaram um mercado por muito tempo, antes que uma guinada tecnol\u00f3gica as surpreendesse. Tome-se o exemplo da Kodak. A centen\u00e1ria companhia americana reinou na \u00e1rea da fotografia at\u00e9 ser desbancada pelo advento da imagem digital, que eliminou a necessidade do filme e do papel fotogr\u00e1fico, suas principais fontes de receita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 para n\u00e3o ser v\u00edtima de mudan\u00e7as desse tipo que o Facebook est\u00e1 investindo em aplicativos m\u00f3veis. A experi\u00eancia dos usu\u00e1rios est\u00e1 migrando rapidamente do computador para dispositivos m\u00f3veis, como o tablet e o smartphone. No Brasil, segundo a Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es (Anatel), j\u00e1 existem mais de 260 milh\u00f5es de telefones celulares, sendo 80% pr\u00e9-pagos. Como vive de publicidade, o Facebook precisa garantir presen\u00e7a nos meios de maior audi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Acreditamos que o futuro dos an\u00fancios sociais pertence \u00e0s plataformas m\u00f3veis. A maior parte de nossos produtos j\u00e1 \u00e9 desenvolvida pensando nessas plataformas&#8221;, conta Leonardo Trist\u00e3o, que dirige os neg\u00f3cios do Facebook no Brasil. O aplicativo m\u00f3vel, afirma o executivo, funciona em mais de 3 mil tipos de aparelhos. &#8220;At\u00e9 agora vimos uma tend\u00eancia forte de crescimento de novos usu\u00e1rios entrando no Facebook pelo computador, mas acreditamos que a pr\u00f3xima onda de conex\u00f5es vir\u00e1 de plataformas m\u00f3veis. Apostamos que o pr\u00f3ximo bilh\u00e3o vir\u00e1 de equipamentos como tablets, celulares e dispositivos que podem ser acessados a qualquer hora e de qualquer lugar.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se obtiver sucesso no ambiente m\u00f3vel, o Facebook pode tornar-se uma op\u00e7\u00e3o \u00e0s mensagens de texto ou SMS, da mesma forma que passou a concorrer com o e-mail no computador, principalmente entre o p\u00fablico mais jovem. &#8220;[Os dispositivos m\u00f3veis s\u00e3o] cada vez mais a porta de entrada da internet&#8221;, diz o pesquisador de m\u00eddia e tecnologia Tiago D\u00f3ria. Para o especialista, no entanto, a estrat\u00e9gia m\u00f3vel do Facebook ainda \u00e9 confusa. H\u00e1, por exemplo, produtos conflitantes, como dois aplicativos de fotos, o Facebook Camera e o Instagram, que foi comprado pela companhia por US$ 1 bilh\u00e3o. Outro fator que pode atrapalhar os planos da companhia \u00e9 a rejei\u00e7\u00e3o do consumidor \u00e0 publicidade no celular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As disputas judiciais que se seguiram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Facebook foram transportadas para as telas no filme &#8220;A Rede Social&#8221;, de 2010, dirigido por David Fincher<br \/>\nEm janeiro, o Facebook lan\u00e7ou um sistema de busca social. O mecanismo ajuda a encontrar dados postados pelos membros da rede social. &#8220;O Google tem feito um bom trabalho quando cataloga e proporciona uma busca inteligente. O Facebook pode entrar nesse mercado usando o poder do conhecimento e a curadoria social&#8221;, comenta Marcelo Marzola, executivo-chefe da Predicta, empresa especializada em sistemas para a web. &#8220;No marketing atual, o que voc\u00ea \u00e9 talvez n\u00e3o seja mais t\u00e3o importante, mas sim saber o que voc\u00ea busca, quais s\u00e3o as tend\u00eancias sociais e qual \u00e9 a sua atitude.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A despeito dos esfor\u00e7os feitos at\u00e9 agora, o Facebook parece engatinhar nessa \u00e1rea. Pelo novo sistema, para o internauta achar um servi\u00e7o de pintor, \u00e9 preciso que esse prestador de servi\u00e7o tenha uma p\u00e1gina na rede social e os amigos &#8220;curtam&#8221; a p\u00e1gina. &#8220;Curtir&#8221; tornou-se uma esp\u00e9cie de marca registrada da companhia &#8211; nada mais \u00e9 que apertar o bot\u00e3ozinho com o desenho de um dedo levantado, em sinal de positivo, indicando que o usu\u00e1rio gostou do conte\u00fado visto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O Graph Search [o mecanismo de busca social do Facebook] parece ser um produto inacabado&#8221;, diz o pesquisador Tiago D\u00f3ria. &#8220;Para atingir seu objetivo, seria necess\u00e1rio que ele indexasse grande parte da web e das intera\u00e7\u00f5es sociais a partir de uma interface mais humana de busca.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A investida do Facebook nos meios m\u00f3veis e aplicativos n\u00e3o \u00e9 apenas uma maneira de manter a audi\u00eancia em alta. \u00c9 preciso mostrar aos investidores que a companhia tem condi\u00e7\u00f5es de criar modelos de neg\u00f3cio lucrativos. Quando come\u00e7ou, o namoro da rede social com Wall Street prometia um romance longo, repleto de lances emocionantes. Mas em 18 de maio o lan\u00e7amento das a\u00e7\u00f5es na Nasdaq &#8211; praticamente o dia do casamento &#8211; mostrou-se um desastre. O sistema da Nasdaq travou, criando preocupa\u00e7\u00e3o entre os investidores, e o pre\u00e7o do papel encerrou o dia com uma eleva\u00e7\u00e3o m\u00ednima, de 0,6%, a US$ 38,23. Para ter uma ideia da frustra\u00e7\u00e3o, apenas um dia antes um analista dissera que qualquer coisa abaixo de uma valoriza\u00e7\u00e3o de 50% seria considerado uma decep\u00e7\u00e3o pelo mercado. O pouco interesse continuou. Desde o lan\u00e7amento das a\u00e7\u00f5es, os pap\u00e9is nunca voltaram sequer a seu pre\u00e7o de lan\u00e7amento. Na quarta-feira, fecharam a US$ 29,05.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;[O Facebook] tem que continuar crescendo rapidamente e talvez lan\u00e7ar novos produtos. Mas n\u00e3o sei dizer quais e como [a empresa] os far\u00e1&#8221;, diz o escritor e investidor americano Robert Scoble, uma das figuras mais atuantes no Vale do Sil\u00edcio, na Calif\u00f3rnia. A regi\u00e3o tornou-se sin\u00f4nimo de inova\u00e7\u00e3o ao abrigar fundos de participa\u00e7\u00e3o em empresas, in\u00fameras companhias novatas e algumas das gigantes americanas do setor de tecnologia &#8211; uma longa lista que inclui Apple, Google, eBay, Yahoo, Hewlett-Packard (HP), Intel e o pr\u00f3prio Facebook.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retratado com tintas pouco lisonjeiras no filme &#8220;A Rede Social&#8221;, Mark Zuckerberg, que se manteve \u00e0 frente da companhia desde sua cria\u00e7\u00e3o, ter\u00e1 de mostrar-se h\u00e1bil em escapar de uma armadilha comum a empresas de tecnologia que crescem rapidamente. \u00c9 um dilema cl\u00e1ssico. Quando pequenas, as empresas costumam arriscar-se mais. A ideia \u00e9 que, se o neg\u00f3cio n\u00e3o der certo, as perdas tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e3o grande coisa. Mas \u00e0 medida que crescem, a busca pela inova\u00e7\u00e3o fica mais dif\u00edcil, principalmente para quem negocia a\u00e7\u00f5es em bolsa e deve satisfa\u00e7\u00f5es aos acionistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio para os gigantes de tecnologia \u00e9 ficarem atentos \u00e0 &#8220;pr\u00f3xima grande coisa&#8221; sem descuidar dos produtos e modelos que os levaram a ser grandes. Mesmo com equipes de engenharia e laborat\u00f3rios repletos de recursos, elas gastam boa parte do tempo e da energia para atualizar o que j\u00e1 existe. Isso abre espa\u00e7o para que companhias menores acabem sendo mais inovadoras e roubem a lideran\u00e7a tecnol\u00f3gica. &#8220;V\u00e1rias empresas com posi\u00e7\u00f5es estabelecidas acabaram sendo suplantadas por novos servi\u00e7os que ofereciam uma melhor experi\u00eancia ao usu\u00e1rio&#8221;, nota Marzola, da Predicta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ciclo n\u00e3o tem fim. Assim que ganha destaque e assume propor\u00e7\u00f5es maiores, a empresa que assumiu a dianteira se v\u00ea diante de uma gest\u00e3o complexa, com muitas obriga\u00e7\u00f5es e exig\u00eancias de todo tipo. Aos poucos, deixa a inova\u00e7\u00e3o de lado, mesmo a contragosto. Muitos engenheiros e g\u00eanios da computa\u00e7\u00e3o que come\u00e7aram na companhia acabam abandonando o barco, em troca de uma empresa menor, na qual possam trabalhar com mais liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi esse movimento, com algumas varia\u00e7\u00f5es, que permitiu que a Microsoft tomasse a dianteira tecnol\u00f3gica da IBM, nos anos 90, e uma d\u00e9cada depois o Google superasse a Microsoft. O Google, por sua vez, n\u00e3o percebeu o movimento do Facebook. Ou seja, os per\u00edodos de dom\u00ednio ficam cada vez mais curtos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Facebook, embora ainda na inf\u00e2ncia, n\u00e3o est\u00e1 imune a esse risco, dizem especialistas. &#8220;O problema n\u00e3o est\u00e1 na idade, mas no tamanho. No come\u00e7o, o Facebook era destinado ao p\u00fablico universit\u00e1rio. Havia uma certa liberdade tem\u00e1tica e uma atualiza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que n\u00e3o se repete mais quando o mundo todo, com pessoas de todas as idades e estratos sociais, e usando todo tipo de aparelho, est\u00e1 no site&#8221;, diz o consultor Luli Radfahrer. &#8220;Essa participa\u00e7\u00e3o gigantesca faz que a rede comece a ter problemas s\u00e9rios de instabilidade, pois qualquer mudan\u00e7a fica mais engessada e lenta. Afinal, \u00e9 preciso satisfazer muita gente.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente, o caminho para uma companhia que liga pessoas de qualquer parte do mundo por um meio virtual pode estar na capacidade de permitir que essa intera\u00e7\u00e3o ganhe contornos na vida real. &#8220;O Facebook foi a primeira grande m\u00eddia social global e tamb\u00e9m a primeira a trazer as empresas para a rede social. Agora est\u00e1 numa grande bifurca\u00e7\u00e3o: vai tornar-se a grande rede que funcionar\u00e1 por mais 20, 30 anos ou come\u00e7ar a ser abandonada, como est\u00e1 acontecendo em alguns pa\u00edses mais maduros?&#8221; questiona Giardelli. &#8220;Se conseguir gerar encontros na vida real, durar\u00e1 muito tempo, mas se ficar s\u00f3 no curtir ou n\u00e3o curtir poder\u00e1 ter pr\u00f3ximos anos bastante complexos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma t\u00e1tica que poder\u00e1 ser usada pelo Facebook \u00e9 a da chamada posi\u00e7\u00e3o ambidestra. Ou seja, utilizar o lucro gerado por neg\u00f3cios estabelecidos e vencedores para subsidiar neg\u00f3cios arriscados. Essa din\u00e2mica permite sustentar inova\u00e7\u00f5es que demandam mais tempo para ter seu valor reconhecido pelo mercado. A Microsoft e a Amazon j\u00e1 mostraram como isso ocorre na pr\u00e1tica. Durante anos, o console de videogame Xbox foi considerado um neg\u00f3cio arriscado e inovador para a Microsoft, concentrada em software e n\u00e3o em equipamentos. A dona do Windows teve v\u00e1rios fracassos na \u00e1rea de equipamentos, como o tocador de m\u00fasica Zune, mas insistiu no Xbox. Deu certo. Hoje, o produto \u00e9 uma fonte de receita da companhia. O leitor de livros eletr\u00f4nico Kindle, da Amazon, demorou tr\u00eas anos para ser desenvolvido, per\u00edodo em que foi financiado pelos neg\u00f3cios tradicionais do site de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico. Atualmente, est\u00e1 a caminho de se tornar uma fonte de receita para a empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem sabe, os pr\u00f3ximos dez anos do Facebook rendam uma continua\u00e7\u00e3o para o filme que contou a hist\u00f3ria da cria\u00e7\u00e3o da rede, como Hollywood gosta de fazer com produ\u00e7\u00f5es de sucesso. Ser\u00e1 curioso saber quem vai interpretar o papel do brasileiro Eduardo Saverin, que foi cofundador da rede social e teve uma s\u00e9rie de problemas com Zuckerberg, com quem acabou rompendo. Em &#8220;A Rede Social&#8221;, Saverin &#8211; que atualmente mora em Cingapura &#8211; foi interpretado por Andrew Garfield, que depois ficaria com o papel do Homem-Aranha. Fora das telas, as aten\u00e7\u00f5es voltam-se para Zuckerberg e se ele ser\u00e1 capaz de se tornar um her\u00f3i empresarial que n\u00e3o s\u00f3 ajudou a conceber um fen\u00f4meno de massa, mas saber\u00e1 manter a relev\u00e2ncia de seu legado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.valor.com.br\/sites\/default\/files\/gn\/13\/02\/arte08cul-806-capa-d18.jpg\" alt=\"\" width=\"544\" height=\"157\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.valor.com.br\/sites\/default\/files\/gn\/13\/02\/arte08cul-807-capa-d18.jpg\" alt=\"\" width=\"544\" height=\"629\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>O mundo que o Facebook criou?\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p>Por Renato Janine Ribeiro | Para o Valor, de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O Mundo que os Escravos Criaram&#8221;, &#8220;O Mundo que os Senhores de Escravos Criaram&#8221; foram dois livros seminais na historiografia dos Estados Unidos; neles me inspiro para este t\u00edtulo. O Facebook criou um novo mundo? Comecemos por uma das principais discuss\u00f5es dos \u00faltimos cem anos: rupturas tecnol\u00f3gicas causam mudan\u00e7as sociais? Pensemos na inven\u00e7\u00e3o da imprensa, da p\u00f3lvora, na descoberta das vacinas e da penicilina, na inven\u00e7\u00e3o da p\u00edlula anticoncepcional, da internet e do Facebook. Em todos os casos houve consequ\u00eancias sociais relevantes. Imprensa e internet mudaram o tamanho das rela\u00e7\u00f5es humanas. A p\u00f3lvora revolucionou a guerra. A vacina e a penicilina salvaram numerosas vidas. A p\u00edlula ajudou a liberta\u00e7\u00e3o sexual. Mas essas inven\u00e7\u00f5es causaram as mudan\u00e7as, ou &#8220;apenas&#8221; amplificaram seu impacto? Uma inven\u00e7\u00e3o basta para mudar o mundo, ou s\u00f3 emplaca quando a sociedade est\u00e1 pronta? H\u00e1 exemplos para o sim e para o n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o: a p\u00f3lvora. Os chineses a usaram por milhares de anos, mas em fogos de artif\u00edcio &#8211; para beleza e divers\u00e3o, n\u00e3o para a morte e a guerra. Somente se torna arma na Europa quase moderna. Sim: v\u00e1rios progressos da medicina, como a penicilina. E uma posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria, sim, mas n\u00e3o sozinha: a sa\u00fade p\u00fablica. A queda fant\u00e1stica da mortalidade infantil no s\u00e9culo XX e a forte redu\u00e7\u00e3o na letalidade das doen\u00e7as devem muito ao saneamento b\u00e1sico, que por sua vez foi mais determinado por movimentos sociais e pela ascens\u00e3o das classes pobres, do que por inven\u00e7\u00f5es de laborat\u00f3rio. Aparentemente, n\u00e3o h\u00e1 uma resposta \u00fanica para a pergunta. Mas h\u00e1 uma tend\u00eancia do pensamento conservador a depreciar as causas sociais e a enfatizar as inven\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Estou convicto de que \u00e9 preciso analisar caso a caso, o que leva a uma resposta matizada, mas com maior acento nos determinantes sociais. Estes n\u00e3o s\u00e3o &#8220;causas&#8221;, mas oportunidades e caixas de resson\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como fica o Facebook nesse quadro? O mundo das redes sociais \u00e9 muito diferente de tudo o que houve antes. Realiza os 15 minutos de fama que Andy Warhol predizia para todos n\u00f3s. Pessoalmente, desde que eclodiu a internet, sonhei que ela criasse uma nova \u00e1gora, a maior da hist\u00f3ria. A \u00e1gora era a pra\u00e7a em que se juntavam os cidad\u00e3os, na Atenas antiga, para decidir sobre assuntos p\u00fablicos. Sir Moses Finley diz que essa assembleia de todos se reunia 40 vezes por ano, o que deve ser um recorde inigualado de interesse popular pelos assuntos pol\u00edticos. Mas h\u00e1 algo parecido no Facebook? Em dois anos de frequenta\u00e7\u00e3o constante, s\u00f3 notei a degrada\u00e7\u00e3o do debate. Li h\u00e1 poucas semanas que o FB teria aperfei\u00e7oado (sic) o algoritmo que escolhe o que voc\u00ea v\u00ea no seu &#8220;feed de not\u00edcias&#8221;: a rede destacaria, na sua p\u00e1gina, posts de quem tem gostos ou valores parecidos. Deve ser por isso que nunca vejo posts de hom\u00f3fobos ou de fascistas; mas, pela mesma raz\u00e3o, recebo poucos posts de quem discorda de mim na pol\u00edtica ou na sociedade. Isso \u00e9 lament\u00e1vel: o contato com a diferen\u00e7a se reduz a pouco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode ser ent\u00e3o que a tecnologia at\u00e9 refreie o debate. Ela abriu um grande espa\u00e7o de discuss\u00e3o com o Facebook, mas o fechou ao s\u00f3 juntar os parecidos. Mas isso resulta de uma inven\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, ou de uma demanda social? Porque nosso tempo \u00e9 marcado por um forte narcisismo (&#8220;Faces, estou na praia!&#8221;), a vontade de encontrar almas g\u00eameas ou mesmo clones, em suma, a indisposi\u00e7\u00e3o \u00e0 diferen\u00e7a, ao di\u00e1logo, ao debate. Em particular no Brasil, onde a convic\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do respeito a quem pensa diferente de n\u00f3s quase n\u00e3o existe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque, e este \u00e9 o segundo ponto, mesmo ali onde a tecnologia n\u00e3o bloqueia o di\u00e1logo, este n\u00e3o acontece. Parte significativa dos coment\u00e1rios que leio s\u00e3o redundantes em rela\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 dito no post. O pensamento complexo encontra t\u00e3o pouco espa\u00e7o no FB quanto em qualquer outro lugar &#8211; e menos que na imprensa, que no Brasil j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 exemplar pela disposi\u00e7\u00e3o a mostrar o outro lado, a promover o di\u00e1logo. No caso dos jornais, n\u00e3o falo do &#8220;outro lado&#8221; no sentido banal, como telefonar a algu\u00e9m para saber sua vers\u00e3o de um fato. Penso, sim, na possibilidade de introduzir, dentro do pr\u00f3prio pensamento, o seu contr\u00e1rio. O que temos no Brasil \u00e9, na imprensa, um discurso dominante de oposi\u00e7\u00e3o ao governo e \u00e0 esquerda, e nos blogs de esquerda o contr\u00e1rio exato disso. H\u00e1 um enfrentamento externo de opini\u00f5es, mas n\u00e3o a compreens\u00e3o de que o pensamento deve ser, em seu pr\u00f3prio interior, marcado pela d\u00favida e o autoquestionamento. Este \u00e9 um tra\u00e7o da cultura pol\u00edtica brasileira, ou da aus\u00eancia de tal cultura; nosso d\u00e9ficit democr\u00e1tico, para o qual n\u00e3o vejo chance de mudan\u00e7a a curto prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O virtual ser\u00e1 ent\u00e3o uma lupa sobre o real, uma amplia\u00e7\u00e3o do que acontece na realidade, no mundo da presen\u00e7a? N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso; ele retira gente da solid\u00e3o; para os perseguidos ou os isolados, \u00e9 um b\u00e1lsamo, porque multiplica seus amigos e associados. Mas ele evidencia tamb\u00e9m nossa defici\u00eancia democr\u00e1tica, que \u00e9 dif\u00edcil de sanar, justamente porque a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende da tecnologia, mas da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Renato Janine Ribeiro, colunista do Valor, \u00e9 professor de filosofia na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jo\u00e3o Luiz Rosa, Guilherme Bryan e Wendel Martins | De S\u00e3o Paulo Turista diante da fachada da empresa, em Menlo Park, Calif\u00f3rnia: por sua abrang\u00eancia, o Facebook n\u00e3o tem hoje nenhum concorrente direto com o mesmo apelo entre os usu\u00e1rios, embora seja constantemente acossado por redes segmentadas, como o LinkedIn e o Pinterest Dez anos podem parecer pouco tempo para historiadores e antrop\u00f3logos, mas no setor de tecnologia da\u00a0informa\u00e7\u00e3o, cujos ciclos de inova\u00e7\u00e3o ficam cada vez mais curtos, uma d\u00e9cada representa uma eternidade. Quem entrasse em uma m\u00e1quina do tempo em 1995, quando a internet foi lan\u00e7ada no Brasil, e saltasse em 2005, teria dificuldades de entender o mundo. Esse per\u00edodo foi suficiente para fazer que a rede mundial passasse de uma curiosidade cient\u00edfica para um fen\u00f4meno de massa. Dos 16 milh\u00f5es de usu\u00e1rios de meados da d\u00e9cada, ou 0,4% da popula\u00e7\u00e3o, a web passou a ser acessada por 1,018 bilh\u00e3o de pessoas, 15,7% dos habitantes do planeta. \u00c9 por isso que ao completar dez anos desde sua cria\u00e7\u00e3o, em 2003, o Facemash, sistema que deu origem ao Facebook, representa tanto um motivo de assombro &#8211; a rede social mais famosa do mundo ultrapassou 1 bilh\u00e3o de usu\u00e1rios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-287","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-tecnologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/287\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}