{"id":282,"date":"2013-01-30T17:36:11","date_gmt":"2013-01-30T19:36:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nivaldocleto.cnt.br\/news\/?p=282"},"modified":"2013-01-30T17:36:11","modified_gmt":"2013-01-30T19:36:11","slug":"durma-se-com-um-brilho-desses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/durma-se-com-um-brilho-desses\/","title":{"rendered":"Durma-se com um brilho desses"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">LULI RADFAHRER<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por mais que fascine, \u00e9 preciso limitar o uso do tablet na cama; sua luz reduz o horm\u00f4nio do sono em 22%<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos cercados de ret\u00e2ngulos brilhantes. Dos pequenos displays nos micro-ondas e r\u00e1dios \u00e0s TVs cada vez maiores, passando por videogames, desktops, notebooks, tablets, celulares e smartphones, praticamente n\u00e3o h\u00e1 momento em que se viva distante deles. \u00c9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo, creio, para chegarem ao fundo de piscinas e mares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novos fabricantes desenvolvem, a cada ano, vers\u00f5es mais leves, econ\u00f4micas, resistentes e vers\u00e1teis dessas telinhas, que a partir deste ano ser\u00e3o at\u00e9 dobr\u00e1veis. Nos carros, TVs para motoristas j\u00e1 n\u00e3o causam espanto. Dividem sua preciosa aten\u00e7\u00e3o com as telas do painel, do GPS, do celular e, de vez em quando, at\u00e9 com o que acontece na rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa rela\u00e7\u00e3o com a luz \u00e9 t\u00e3o intensa que parece que vivemos de fotoss\u00edntese. Nas hiperluminosas resid\u00eancias modernas, algumas noites ficam mais claras do que os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pena que o c\u00e9rebro humano, esse primitivo, n\u00e3o esteja preparado para tanto brilho. Luz, para as mentes consolidadas desde os primeiros homin\u00eddeos, vem do c\u00e9u, do fogo ou de raridades como um vaga-lume ou um metal radiativo. Luz branca, ainda mais rara, s\u00f3 vem de um raio ou do Sol ao meio-dia. LEDs, LCDs, plasmas e outras iridesc\u00eancias causam estranheza a nossos mecanismos de aten\u00e7\u00e3o. Como gatos expostos ao flash de uma c\u00e2mera, ficamos meio paralisados diante eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o impede a exposi\u00e7\u00e3o cotidiana a dezenas de ret\u00e2ngulos brilhantes, deixando a mente em estado de constante est\u00edmulo. Por instinto, quem passa muito tempo em frente \u00e0s telas permanece desperto at\u00e9 o momento em que n\u00e3o resta ao corpo outra op\u00e7\u00e3o se n\u00e3o desligar os disjuntores e desmaiar, at\u00e9 o sono ser interrompido pelo brilho do despertador. Como quem vive no fuso hor\u00e1rio da Calif\u00f3rnia, o impulso de alguns brasileiros tecnol\u00f3gicos \u00e9 deitar perto das 3h e acordar \u00e0s 11h. A maioria, que n\u00e3o pode dar-se esse luxo, acaba dormindo pouco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E mal. Um estudo publicado no peri\u00f3dico t\u00e9cnico &#8220;Applied Ergonomics&#8221; revela que duas horas de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz brilhante de um tablet ou equivalente antes de dormir reduzem os n\u00edveis de melatonina, o horm\u00f4nio do sono, em cerca de 22%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa car\u00eancia provoca, al\u00e9m de noites ruins, o aumento dos riscos de obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares. A falta de sono diminui a produtividade, aumenta o risco de acidentes, prejudica o racioc\u00ednio e mata a libido. Por mais que fanfarr\u00f5es afirmem ser capazes de dormir poucas horas, n\u00e3o h\u00e1 argumentos m\u00e9dicos que defendam essa tese, muito pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aplicativos para smartphone se prop\u00f5em a medir a qualidade do sono de seus usu\u00e1rios com base no movimento captado por seus aceler\u00f4metros. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 nobre, embora seja f\u00e1cil prever alguns resultados. Quem checa mensagens ou visita websites antes de dormir pode levar preocupa\u00e7\u00f5es do trabalho para a cama. Quem joga ou interage com redes sociais tende a ficar mais alerta. At\u00e9 mesmo quem assiste a um v\u00eddeo bobo no telefone fica exposto a uma luminosidade sem precedentes. Mal dormidos, v\u00e1rios acordam no meio da noite e checam suas redes. N\u00e3o pode fazer bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que aparelhos eletr\u00f4nicos fascinem, \u00e9 preciso limitar seu uso antes de ir para a cama. Talvez seja um excelente motivo para retomar o antigo h\u00e1bito de conversar.<\/p>\n<div>\n<p><a href=\"mailto:folha@luli.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>folha@luli.com.br<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Folha de S.Paulo<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LULI RADFAHRER Por mais que fascine, \u00e9 preciso limitar o uso do tablet na cama; sua luz reduz o horm\u00f4nio do sono em 22% Estamos cercados de ret\u00e2ngulos brilhantes. Dos pequenos displays nos micro-ondas e r\u00e1dios \u00e0s TVs cada vez maiores, passando por videogames, desktops, notebooks, tablets, celulares e smartphones, praticamente n\u00e3o h\u00e1 momento em que se viva distante deles. \u00c9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo, creio, para chegarem ao fundo de piscinas e mares. Novos fabricantes desenvolvem, a cada ano, vers\u00f5es mais leves, econ\u00f4micas, resistentes e vers\u00e1teis dessas telinhas, que a partir deste ano ser\u00e3o at\u00e9 dobr\u00e1veis. Nos carros, TVs para motoristas j\u00e1 n\u00e3o causam espanto. Dividem sua preciosa aten\u00e7\u00e3o com as telas do painel, do GPS, do celular e, de vez em quando, at\u00e9 com o que acontece na rua. Nossa rela\u00e7\u00e3o com a luz \u00e9 t\u00e3o intensa que parece que vivemos de fotoss\u00edntese. Nas hiperluminosas resid\u00eancias modernas, algumas noites ficam mais claras do que os dias. Pena que o c\u00e9rebro humano, esse primitivo, n\u00e3o esteja preparado para tanto brilho. Luz, para as mentes consolidadas desde os primeiros homin\u00eddeos, vem do c\u00e9u, do fogo ou de raridades como um vaga-lume ou um metal radiativo. 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