{"id":1694,"date":"2020-11-27T13:43:02","date_gmt":"2020-11-27T16:43:02","guid":{"rendered":"http:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/?p=1694"},"modified":"2020-11-27T14:07:26","modified_gmt":"2020-11-27T17:07:26","slug":"forum-de-governanca-da-internet-igf-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/forum-de-governanca-da-internet-igf-2020\/","title":{"rendered":"F\u00f3rum de Governan\u00e7a da Internet (IGF) 2020"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1695 aligncenter\" src=\"http:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/vigf2020.png\" alt=\"\" width=\"558\" height=\"307\" srcset=\"https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/vigf2020.png 757w, https:\/\/nivaldocleto.cnt.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/vigf2020-300x165.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 558px) 100vw, 558px\" \/><\/p>\n<p>Por Nivaldo Cleto*<\/p>\n<p>Ocorreu durante diversas semanas de novembro de 2020 a 15\u00aa edi\u00e7\u00e3o do <em>Internet Governance Forum<\/em> das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que deveria ter ocorrido na Pol\u00f4nia, mas acabou se dando virtualmente, como foi o caso da maioria dos eventos do ano. Com um formato que distribuiu as muitas sess\u00f5es do evento por diversos fusos hor\u00e1rios ao longo de tr\u00eas semanas, se fez necess\u00e1rio para os participantes escolher criteriosamente como conciliar suas agendas pessoais e de trabalho com o evento, mas elas j\u00e1 se encontram dispon\u00edveis para serem assistidas <span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/user\/igf\/videos\">aqui<\/a><\/span> para aqueles interessados em seguir algum assunto em particular.<\/p>\n<p>Com esse breve relat\u00f3rio buscamos trazer uma vis\u00e3o voltada ao setor empresarial de quais foram as principais tend\u00eancias do evento, expondo alguns dos temas de destaque que detectamos e trazendo-os para a comunidade brasileira com uma linguagem mais acess\u00edvel. Cada par\u00e1grafo corresponde a um tema.<\/p>\n<p><strong>Seguran\u00e7a cibern\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p>O tema da <strong>seguran\u00e7a cibern\u00e9tica<\/strong> n\u00e3o poderia deixar de ser o primeiro a abordarmos. Com um aumento do n\u00famero de ataques dentro do contexto da pandemia global, combinados com a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas virtuais praticadas por diversos governos, essa \u00e1rea caminha para um momento cr\u00edtico. Observou-se uma amplia\u00e7\u00e3o preocupante no volume de ataques de <em>ransomware<\/em>, onde uma rede de computadores \u00e9 feita ref\u00e9m pelos criminosos, algo que ocorre tanto com empresas de todos tamanhos quanto mesmo com infraestrutura cr\u00edtica como hospitais. O investimento em times capacitados de TI nunca foi t\u00e3o importante.<\/p>\n<p>Vemos tamb\u00e9m um j\u00e1 esperado, mas ainda complicado, aumento no n\u00famero de ataques fazendo uso de aparelhos conectados \u00e0 Internet que n\u00e3o s\u00e3o computadores, como c\u00e2meras, campanhias e outros aparelhos de Internet das Coisas. A necessidade de conscientizar os usu\u00e1rios e promover melhores pr\u00e1ticas de seguran\u00e7a \u00e9 real.<\/p>\n<p><strong>Economia digital<\/strong><\/p>\n<p>Esse tamb\u00e9m foi um ano para pensarmos muito em <strong>economia digital<\/strong>, em vista de como o empresariado do mundo em desenvolvimento est\u00e1 sendo pesadamente afetado pela crise sist\u00eamica, ao mesmo tempo que algumas grandes plataformas consolidam ainda mais sua posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O trabalho remoto se apresentou como uma forte alternativa para muitos tipos de neg\u00f3cio, reduzindo custos e otimizando a for\u00e7a de trabalho contratada, mas isso gera a quest\u00e3o de como lidar com essa nova realidade entre aqueles que n\u00e3o possuem acesso, ou n\u00e3o possuem acesso de qualidade. N\u00e3o podemos pensar que em um mundo p\u00f3s-pandemia o trabalho remoto ir\u00e1 desaparecer e voltaremos a uma realidade de escrit\u00f3rios. As mudan\u00e7as ser\u00e3o sentidas de modo permanente e teremos que pensar em novos balan\u00e7os e otimiza\u00e7\u00f5es para nossas empreitadas futuras, atendendo tamb\u00e9m \u00e0 crescente demanda por maior flexibilidade daqueles que est\u00e3o entrando no mercado de trabalho.<\/p>\n<p><strong>Prote\u00e7\u00e3o de dados<\/strong><\/p>\n<p>A <strong>prote\u00e7\u00e3o de dados<\/strong> est\u00e1 na mente do empresariado brasileiro devido \u00e0 entrada em vigor da LGPD, mas existem tamb\u00e9m outras tend\u00eancias mundiais nas quais precisamos prestar aten\u00e7\u00e3o. Se destaca o <em>Digital Services Act<\/em> (DSA) da Comiss\u00e3o Europeia, que tem potencial de gerar efeitos t\u00e3o profundos quando a GDPR Europeia criou no mundo, resultando inclusive em nossa LGPD.<\/p>\n<p>O DSA \u00e9 uma resposta europeia ao monop\u00f3lio das grandes plataformas estadunidenses de diversos espa\u00e7os digitais e cria regras que aumentam a competitividade, na tentativa de criar mais espa\u00e7o para as pequenas e m\u00e9dias empresas. Enquanto existe potencial de aumento de inova\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso acompanhar de perto o que \u00e9 discutido, pois existe uma fina linha entre trazer mais competitividade e manter o livre mercado em funcionamento.<\/p>\n<p><strong>Infraestrutura da Internet<\/strong><\/p>\n<p>No tema da <strong>infraestrutura da Internet<\/strong> temos muitos temas concorrentes, mas a falta de comprometimento de muitos provedores de servi\u00e7os de Internet na transi\u00e7\u00e3o do IPv4 para o IPv6 segue um problema s\u00e9rio, que a m\u00e9dio prazo gerar\u00e1 problemas para a rede. Se faz necess\u00e1rio que empresas e governos comecem a requerer implementa\u00e7\u00e3o de IPv6 em seus processos de aquisi\u00e7\u00e3o, criando mais incentivos para os atores fazerem a migra\u00e7\u00e3o, assim como os equipamentos eletr\u00f4nicos que n\u00e3o s\u00e3o de ponta precisam tamb\u00e9m ser estimulados a acompanhar a mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>J\u00e1 no tema do DNS, vemos a emerg\u00eancia do DNS sobre HTTPS (DoH) como algo bom e ao mesmo tempo preocupante. O DoH permite que todos fa\u00e7am uso de encripta\u00e7\u00e3o com maior naturalidade nas suas opera\u00e7\u00f5es di\u00e1rias de visitar websites, fazendo com que todos requerimentos origin\u00e1rios de um sistema sejam transferidos misturados para dificultar sua intercep\u00e7\u00e3o, mas isso ao mesmo tempo limita as a\u00e7\u00f5es das for\u00e7as policiais e quebra sistemas como os de filtro de conte\u00fado.<\/p>\n<p><strong>Atores da Internet<\/strong><\/p>\n<p>A quest\u00e3o da <strong>coopera\u00e7\u00e3o entre atores da Internet<\/strong> se faz cada vez mais presente, e aparece como recomenda\u00e7\u00e3o final de muitas sess\u00f5es. Se em um momento anterior pensamos que havia boa integra\u00e7\u00e3o entre os muitos atores desse sistema, estamos percebendo que esse n\u00e3o \u00e9 o caso, e \u00e9 necess\u00e1rio que se pensem em muitos mais mecanismos para que aqueles que s\u00e3o provedores, plataformas, administradores, pessoas de neg\u00f3cio e todos demais consigam se manter em alinhamento, visando aumentar a capacidade de todos de estarem preparados para o desafio de uma rede cada vez maior e mais abrangente.<\/p>\n<p>Um tema claro \u00e9 o do abuso no DNS, tratando de quais websites simplesmente n\u00e3o s\u00e3o toler\u00e1veis em nenhuma circunst\u00e2ncia e n\u00e3o devem passar por nenhum processo demorado antes de serem retirados do ar, como \u00e9 o caso daqueles que promovem tr\u00e1fico humano, por exemplo. Muitos dos atores do sistema possuem acordos volunt\u00e1rios de fazer exatamente isso, mas essa voluntariedade precisa ser convertida em obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Crian\u00e7as na Internet<\/strong><\/p>\n<p>O contexto pand\u00eamico intensificou ainda mais a quest\u00e3o das <strong>crian\u00e7as na Internet<\/strong>. A Interpol trouxe informa\u00e7\u00f5es para o IGF de que detectam cada vez mais amea\u00e7as diretamente voltadas \u00e0s crian\u00e7as na rede que v\u00e3o al\u00e9m dos problemas j\u00e1 conhecidos, com campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o e fraude sendo direcionadas diretamente para esse p\u00fablico.<\/p>\n<p>Embora os pais tenham se tornado mais observadores das pr\u00e1ticas online de seus filhos durante a pandemia, a maioria dos pais e professores n\u00e3o possuem compreens\u00e3o suficiente do ambiente digital para poder educar corretamente as crian\u00e7as. Isso aponta para que continuemos pensando n\u00e3o s\u00f3 apenas em como tornar as crian\u00e7as preparadas para o mundo digital, mas sim tamb\u00e9m como sempre alavancar esfor\u00e7os para educar aqueles que s\u00e3o a rede de apoio imediato delas.<\/p>\n<p><strong>Sustentabilidade digital<\/strong><\/p>\n<p>Encerraremos com um tema que tentou ser avan\u00e7ado pelos organizadores do evento mesmo sem tanta ader\u00eancia da comunidade, que foi o de <strong>desenvolvimento sustent\u00e1vel na tecnologia digital<\/strong>. Alguns subtemas importantes se destacam no assunto, como \u00e9 o caso do consumo de energia do mundo digital e a subsequente gera\u00e7\u00e3o de polui\u00e7\u00e3o relacionada a isso, com <span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"https:\/\/www.greencarcongress.com\/2018\/03\/20180306-mcmaster.html\">um estudo<\/a><\/span> prevendo que 14% de todas as emiss\u00f5es globais vir\u00e3o do setor de tecnologia e informa\u00e7\u00e3o em 2040, apesar de flutuarem em torno de 4% hoje em dia.<\/p>\n<p>Algo mais palp\u00e1vel \u00e9 nossa incapacidade de lidar com o lixo eletr\u00f4nico que produzimos, que acaba por muitas vezes misturado ao lixo comum, sendo n\u00e3o apenas um potencial desperd\u00edcio, mas tamb\u00e9m representando perigos reais advindos da degrada\u00e7\u00e3o de alguns componentes eletr\u00f4nicos. Algo claro \u00e9 que esse ciclo de obsolesc\u00eancia dos equipamentos precisa ser desacelerado e pol\u00edticas mais proativas de manuten\u00e7\u00e3o implementadas.<\/p>\n<p><em>*Nivaldo Cleto \u00e9 membro da ICANN Business Constituency e Conselheiro do Comit\u00ea Gestor da Internet no Brasil \u2013 CGIbr<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Nivaldo Cleto* Ocorreu durante diversas semanas de novembro de 2020 a 15\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Internet Governance Forum das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que deveria ter ocorrido na Pol\u00f4nia, mas acabou se dando virtualmente, como foi o caso da maioria dos eventos do ano. Com um formato que distribuiu as muitas sess\u00f5es do evento por diversos fusos hor\u00e1rios ao longo de tr\u00eas semanas, se fez necess\u00e1rio para os participantes escolher criteriosamente como conciliar suas agendas pessoais e de trabalho com o evento, mas elas j\u00e1 se encontram dispon\u00edveis para serem assistidas aqui para aqueles interessados em seguir algum assunto em particular. Com esse breve relat\u00f3rio buscamos trazer uma vis\u00e3o voltada ao setor empresarial de quais foram as principais tend\u00eancias do evento, expondo alguns dos temas de destaque que detectamos e trazendo-os para a comunidade brasileira com uma linguagem mais acess\u00edvel. Cada par\u00e1grafo corresponde a um tema. Seguran\u00e7a cibern\u00e9tica O tema da seguran\u00e7a cibern\u00e9tica n\u00e3o poderia deixar de ser o primeiro a abordarmos. 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